Os preços dos combustíveis e inflação: valores incompatíveis com o bolso dos brasileiros

Nesta entrevista com Tânia Maria, na Manhã RBA Litoral, discorremos sobre os preços dos combustíveis e a inflação no Brasil, além de registrar o custo do “remédio” monetarista para, segundo indicam as projeções do Banco Central, novamente não cumprir a meta estabelecida pelo governo.

Resumimos aqui os conceitos apresentados.

Relembramos a autossuficiência em petróleo alcançada com a descoberta do pressal, cujos campos ganharam o epípeto de “passaporte para o futuro”. No entanto, a alienação da própria produção e das refinarias e outros setores da Petrobrás minaram a condição de o Brasil produzir os seus próprios combustíveis, mantendo a dependência das importações dos derivados fósseis.

Fixamos o conceito de PPI – paridade do preço de importação, que soma o preço internacional do óleo cru ao frete e custos portuários para trazer o produto ao Brasil.

No entanto, como demonstraram os petroleiros e seu Observatório Social, a prática da empresa vinha sendo oferecer um preço mais alto, que só recuou nos recentes meses, que coincidem com a campanha eleitoral.

Na imagem acima, traduzimos a linha “preço justo” como aquela que permitiria a Petrobras ser igualmente lucrativa vendendo seus produtos a R$ 1 real abaixo do praticado. A submissão do governo aos interesses privados dos acionistas minoritários levou os consumidores brasileiros a arcar com o lucro de mais de R$ 100 bilhões em 2021, distribuído em boa parte para fora do país.

O diesel, combustível hegemônico nos transportes de carga em solo nacional, teve menor queda de preço recentemente, mantendo a pressão sobre os preços de alimentos e outros itens de consumo popular que são transportados entre os centros produtores e os mercados urbanos. A inflação de alimentos em um ano marcou 15% em agosto de 2022, quando o preço recuou vinte e depois trinta centavos, a R$ 7,50 o litro na bomba.

É fato que a inflação recuou, com a baixa da gasolina, mas aos elevados níveis de um ano antes. Em agosto, o índice estava em 8,8% anuais e os especialistas de mercado o prevêem nesse patamar até o final de 2022.

Em síntese, ficou mais fácil ir de carro ao mercado, mas não dá para encher o carrinho em cenário de renda minguante.

De se notar que 2022 caminha para ser o segundo ano de descumprimento da meta de inflação, mostrando desempenho insuficiente recorrente do Banco Central.

O custo do mau desempenho superou em R$ 200 bilhões a média de juros pagos aos rentistas que se apoderam o erário público, ao tempo que dezenas de milhões de brasileiros estão em insegurança alimentar, muitos deles passando fome.

Muita gente ainda acredita que o país está bombando com a atual gestão da péssima equipe econômica. O desempenho do presidente só não teria sido “melhor” em razão da guerra e da pandemia. Ambos não são fenômenos novos. 685 mil mortos falam por si da má condução ante a crise sanitária. E, se o mundo não provê o que os brasileiros precisam, por que uma dependência tão grande do exterior? E crescente.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, conselheiro da Casa do Povo, EngD, CNTU e Aguaviva, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

2 comentários em “Os preços dos combustíveis e inflação: valores incompatíveis com o bolso dos brasileiros

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