Bolsonaro, o Copom e a Selic

O artigo semanal do economista Paulo Kliass foi escrito quando já se reunia a diretoria do Banco Central, na função de Comitê de Política Monetária, para, entre outros, definir a derradeira taxa Selic do governo Bolsonaro.

Não obstante o aspecto conjuntural de sua introdução, Kliass historia o movimento altista nas reuniões do Copom ocorridas entre Março de 2021 e Agosto de 2022, após asseverar que “o Presidente do Banco Central tem sido o principal responsável por uma das mais desastrosas trajetórias de elevação sistemática desta importante ferramenta da política econômica”:

A retração do nível das atividades econômicas a partir de 2019 permitiu que o órgão abandonasse sua tradicional preferência pelo arrocho monetário e arriscasse um ensaio de diminuição da taxa. Assim, ela chegou a atingir a marca de 2% em agosto de 2020 e assim permaneceu até março do ano seguinte.

Entre março de 2021 e agosto de 2022 foram realizados 12 encontros do Comitê e em todas eles a taxa foi aumentada. Assim, a SELIC foi multiplicada por quase 7 e chegou a atingir 13,75% na reunião de nº 248. Tratava-se de uma ascensão irresponsável e que não encontrava nenhum respaldo em qualquer modelo minimamente sério de análise macroeconômica, mesmo os do campo conservador.

O especialista em politicas públicas recorda que a contenção dos preços cabia muito mais à política de governo do que à elevação do juros, puxados que eram pelos combustíveis, energia elétrica e alimentos, não pela gastança popular.

“Como era de se esperar”, conclui, “o custo social e econômico dessa aventura liberal foi enorme. A maioria da sociedade ainda sofre na pele a irresponsabilidade de um governo que nada fez para conter a inflação, uma vez que tinha todas as ferramentas para atuar pelo lado da oferta nos casos acima mencionados e recusou-se a agir. Além disso, deu-se a explosão do custo financeiro de forma generalizada pelo lado da SELIC. As famílias e empresas foram penalizadas por esse movimento, bem como os próprios cofres públicos pelo aumento das despesas com juros da dívida pública”.

Mas não sem antes lembrar que a missão do BC de assegurar a estabilidade dos preços vem acompanhada da obrigação com a suavização das flutuações da economia e o fomento ao pleno emprego, além da solidez e eficiência do sistema financeiro.

Paulo Kliass é doutor em economia e membro da carreira de Especialistas em Políticas Públicas e Gestão Governamental do governo federal no Brasil. Leia o artigo completo.

Também de Kliass, entre outros, A eterna chantagem do financismo, O imbroglio do Banco Central, Austeridade sob Lula 3.0 e Desvio de função no Conselho Administrativo de Defesa da Concorrência.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, conselheiro da Casa do Povo, EngD, CNTU e Aguaviva, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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