O dinheiro, sua história e a acumulação financeira

Notas da Aula 1

Exploração do trabalhador

Podemos afirmar que a exploração do homem pelo homem começa com o surgimento do dinheiro…

Entendo que é precedente no tempo. Desde os tempos primitivos, quando o gênero sapiens espécie humana (do qual fazemos parte) dominou a produção de alimentos agrícolas, passou a se apropriar, pela força das rudimentares armas que possuía, da produção de outros bandos humanos, explorando o trabalho alheio em um processo que desembocou no escravagismo, primeira modalidade de exploração do homem pelo homem. Na Roma antiga já havia o dinheiro fungível, em forma de sal, mas a exploração dos escravos independia da sua existência.

Câmbio

O que leva a variação de câmbio?

Na lógica da moeda única (Euro na Europa) sem câmbio entre as nações, que controle é feito?

Em sendo o equivalente universal das mercadorias e meio de troca, como qualquer uma delas o dinheiro também pode ser trocado por outros dinheiros. Assim, um dinheiro vale um tanto de um outro dinheiro e vice-e-versa. Essa troca de dinheiros diferentes é chamada de câmbio de moedas. Como qualquer mercado, há oferta e procura e também imposição de preços pelo cambista monopolista, fazendo o preço variar entre os interessados nessa troca direta, sem mercadorias no meio do caminho.

Cada unidade monetária de uma moeda tem um poder de compra dentro de uma economia e capacidade de troca com as demais, adquirindo, por tabela, um poder de compra na outra economia. O controle desse poder de compra é feito pelos emitentes de cada moeda. Os dinheiros nacionais, como o real e o dólar dos EUA, são controlados pelos respectivos Bancos Central com instrumentos de política monetária que lhes garantam o valor, internamente e perante outras moedas. O mesmo vale para a Zona do Euro, como se um país só fosse. Mas como cada autoridade monetária é constituída para defender a sua própria moeda, fica evidente que conflitos surgem entre elas, que se refletem diretamente no mercado de câmbio (o preço da troca de uma moeda por outra) e, por consequência, no poder de compra que uma moeda estrangeira terá nas trocas mercantis e financeiras locais.

Meio Circulante

Qual a lógica da emissão das cédulas de R$ 200,00? O trabalhador custa ter uma cédula de 50,00 e quando tem difícil trocá-la no comércio.

Qual interesse por traz da cédula de 200,00.

A impressão de papel moeda tem que ter como garantia as riquezas que o país tem?

Aqui o assunto é o meio circulante, uma parte do dinheiro que há no Brasil. Além dele, há o dinheiro depositado em bancos e aquele em forma de títulos públicos garantidos pelo governo federal, por exemplo. Todos expressam uma quantidade reais que tem curso forçado no país, ou seja, ninguém pode recusar como moeda.

Quando os preços sobem no tempo, cédulas impressas ou moedas cunhadas de maior valor facilitam as transações em espécie. Imaginem o apartamento de um certo ex-deputado, onde ele guardava dinheiro em cédulas. É fácil deduzir que o local poderia ter menos metros quadrados se a quantia estivesse representada por cédulas de R$ 200, do que se lá todas fossem cédulas de R$ 2.

O lançamento da cédula de R$ 200 na pandemia reduz o número de cédulas necessárias para o saque do auxílio emergencial, permitindo uma produção mais rápida das cédulas necessárias para isso. Essa foi a alegação do lançamento da nova nota, que ainda não produziu efeitos no calendário de saques.

Expansão Monetária

O dinheiro sem mercadoria acaba sendo um capital fictício?

Não é necessário ter como garantia essas riquezas?

Uma emissão monetária sem lastro ou garantia na produção de mercadorias é possível no Brasil, veremos exemplos na terceira aula. Tanto o dinheiro existente como o novo dinheiro têm valor, podem comprar coisa. No entanto, para que os preços se mantenham, será necessária aumentar a quantidade de mercadorias, com a ocupação da capacidade de produção ociosa (novos turnos, por exemplo), sua expansão ou aumento das importações.

O dinheiro novo, nessas situações, ajuda na criação de mais capital, empregos e renda.

Mas há um risco o dinheiro novo de ficar, como disse o Ministro da Economia no início da calamidade pública, “empoçado” no sistema financeiro, procurando seus gestores fazê-lo crescer em cima do dinheiro já existente, modificando apenas a distribuição da riqueza monetária entre as pessoas.

Títulos Públicos e Política Monetária

A Conab fazia um papel importante no mercado regulador de alimentos?

Investir no campo é cuidar da cidade! ​Na questão da reforma agrária, por exemplo, geralmente o governo (Incra), quando faz a desapropriação de uma propriedade improdutiva, paga o proprietário a terra em títulos.

A Conab cumpria dois papeis: assegurar um preço mínimo ao produtor rural e proporcionar ao consumidor de alimentos os grãos estocados a preços determinados pelo governo. Dessa forma, sempre que um especulador quisesse aumentar os preços, a Conab oferecia a mercadoria por menos dinheiro, forçando os preços para baixo. Hoje o governo faz algo semelhante com a própria moeda, usando do estoque de moeda estrangeira para regular o preço do câmbio.

Os títulos públicos garantidos pelo Tesouro Nacional funcionam como dinheiro, mas só poderão ser convertidos em reais no vencimento. Nesse meio tempo (em geral vários anos), podem ser trocados com outros agentes econômicos, por um preço em geral menor do que o valor de face, nos mercados financeiros. Parte deles pagam juros ao longo da vida do papel, outros acumulam só para o vencimento. Além da aquisição de propriedades improdutivas, podem ser emitidos para investimentos, mas não para o pagamento de despesas correntes, ou para simplesmente retirar dinheiro de circulação, em nome da política monetária do governo.

O Estado na economia

Para resolver o exemplo da roupa de debutante ou do produtor de arroz, o governo não poderia utilizar do mecanismo dos depósitos compulsórios para obrigar o dinheiro ir para a produção?

Apenas de forma indireta. O Estado pode determinar que se recolham recursos que estão no sistema financeiro (lembrar que pertencem aos clientes) sem prejudicar os saques das contas bancárias e agir no sentido de produzir ele próprio. No caso, pode haver diferença de prazo, já que as movimentações de conta corrente em geral ocorrem dentro do mês e a instalação de uma unidade de produção pode levar anos para dar retorno.

Uma nova modalidade permite ao BC comprar títulos de empresas, a finalidade produtiva pode ser um dos critérios de escolha das carteiras a adquirir.

Concentração de riqueza

Um grupo bem pequeno são os que se dão bem com a desgraça dos outros! muito triste agente ver poucos se enriquecendo cada vez mais enquanto mais de 130 mil pessoas já perderam suas vidas nesse Brasil; vendem tudo e hoje a gente compra o nosso próprio produto a preço de diamante.

São muitos os mecanismos de concentração de renda em funcionamento quando as relações de produção são capitalistas. Além das trocas mercantis tornarem-se cada vez mais desiguais entre os titulares do capital e os produtores, no Brasil de hoje, por exemplo, tributa-se muito mais estes do que aqueles, até para pagar as rendas dos títulos públicos em poder dos primeiros.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central e do Instituto Cultural Israelita Brasileiro, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

3 comentários em “O dinheiro, sua história e a acumulação financeira

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