BCB: autonomia independente

Ou independência autônoma?

Quando, ao lado de Pascoal Vaz, comparecemos à RBA Litoral para conversar sobre a autonomia do BCB com Douglas Martins, Tânia Maria e Sandro Thadeu, imaginávamos expor os diapositivos anexos, mas a apresentação não combinava com a linguagem radiofônica. Além de discernir as diferenças entre independência e autonomia da autoridade monetária, abordamos sobre a nova missão da autarquia e relembramos o que a sociedade espera do sistema financeiro nacional.

Resumidamente, o que a Lei ontem sancionada pelo Presidente da República estabelece é algo que de fato já é realidade no Brasil: o Banco Central é autônomo para perseguir metas estabelecidas externamente a ele, quer seja pelo Conselho Monetário Nacional. A norma inova ao atribuir missão de suavizar as flutuações da atividade econômica e fomentar o pleno emprego, ainda que de forma subsidiária ao controle dos preços da economia, mesmo status agora atribuído à regulação e supervisão do SFN.

Sim, o ideal é que todos os quatro pontos estivessem igualmente em primeiro plano, mas a mera introdução dos novos quesitos representa um avanço nas obrigações do corpo técnico do banco e abre espaço para um governo futuro casar, por exemplo, uma meta de baixos inflação e desemprego. Nossa experiência na Casa permite atestar a competência dos colegas que nos sucedem em formular boa política nesse sentido.

Ao lado dos que se queixam da pouca autonomia em relação ao governo, há os que temem aumentar a submissão do BC aos interesses privados do sistema financeiro, difícil de acontecer, pois ela já é elevada o bastante para crescer muito mais.

Quando esclarecemos que o CMN outrora já teve setores da economia real – industriários, agricultores, comerciantes e trabalhadores – ao lado de próceres do governo, antes de ser reduzido ao Ministro da Fazenda, do Planejamento e Presidente do Banco Central, para hoje se concentrar no Ministro da Economia, um funcionário seu de livre-exoneração e o titular do BCB, o professor Pascoal arrematou, com nossa concordância, sobre a autonomia da política monetária:

Com Guedes e Campos combinando o jogo, é como se o BCB fosse de fato independente, respondendo apenas ao que quer o capital financeiro instalado no Brasil.

Saiba mais sobre o Sistema Financeiro Cidadão e a transformação do Banco Centra em empresa pública.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Sindicato dos Escritores no Estado de São Paulo e da Engenharia pela Democracia, conselheiro da Casa do Povo, Sinal, CNTU e Aguaviva, membro do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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