Economia de Francisco

Francisco

O Papa Francisco convida-nos a “estudar e praticar uma economia diferente, que faz viver e não mata, inclui e não exclui”.

Dowbor

O dilema que a Economia de Francisco, como é chamado o encontro de Março de 2020 em Assis, se propõe a resolver é uma inversão da realidade atual: transformar a economia que se serve da sociedade em outra a serviço da humanidade.

Para entender melhor do que se trata, nada como inspirar-se no famoso programa de televisão e pedir “ajuda aos universitários”.

Conheci Ladislau Dowbor, doutor em Ciências Econômicas pela Universidade de Varsóvia, cuja obra é franqueada a fins não comerciais, quando tomei posse como Conselheiro Participativo em São Paulo. Diante de mil eleitos, palestrou sobre a correlação entre o interesse social e as verbas públicas para o seu atendimento.

Em A economia desgovernada – novos paradigmas, de Outubro de 2019, Dowbor sugere dez temas para debate na Economia de Francisco e faz as suas considerações. Além de referenciar o coordenador global do evento, o Nobel da Economia Joseph Stiglitz, comenta sobre duas obras de soberba importância, sempre fazendo paralelo à situação brasileira.

Do Roosevelt Institute ele traz as Novas Regras para o Século 21. Ao constatar que “entregamos os nossos governos aos mercados, e entregamos os mercados às corporações” e com a experiência do New Deal em mãos, o Instituto estadunidense oferece uma nova visão de mundo progressiva: acesso universal aos bens e serviços e investimentos transformadores na busca de objetivos nacionais. Entre outras medidas, propões que se adote uma política de renda universal vinda do trabalho, assegurando emprego a todos os cidadãos em idade de trabalhar.

Da Economia da Rosquinha de Kate Raworth veem as ideias de uma economia mais humana no século 21: “Impostos sobre capital produtivo. Compartilhar as riquezas da natureza. Controle sobre dinheiro e mercados.” E uma forma de medir resultados que vai muito além do PIB:

Concordamos com o professor Ladislau Dowbor quando diz que o problema não é principalmente econômico, mas essencialmente político e ético. Quando a produção global anual é de 85 trilhões de dólares dos EUA, cada família de quatro pessoas poderia dispor de R$ 15 mil por mês. No entanto, 1% das pessoas são mais ricas que todas as outras 99% somadas.

É claro que, como registra Dowbor em seu artigo, uma nesga de consciência atinge o sistema corporativo que domina a economia e sua síntese, a política: ao lado de maximizar o lucro dos acionistas, surgem declarações de algumas centenas das maiores empresas do mundo de preocupação com as pessoas em geral e o meio ambiente que as gerações futuras herdarão de nós.

Ajuda, mas não é o suficiente para colocar a economia a serviço da sociedade.

Precisamos e vamos fazer mais.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central e do Instituto Cultural Israelita Brasileiro, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

4 comentários em “Economia de Francisco

  1. Economia de Francisco é uma brisa de esperança nesta tórrida selva de ganância financeirizada. A economia precisa de moderação, o planeta agradece. Talvez os seus habitantes consigam respirar melhor, sem a fuligem das queimadas e sem o frenesi da empregabilidade a qualquer custo. Parabéns, Iso Sendacz por tema tão oportuno e tão bem fundamentado.

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