A indústria submissa à financeirização

Ladislau Dowbor, ao Portal da NCST

Enquanto avançamos pela Pedagogia da Economia, trazemos algumas ideias do professor para retomar o desenvolvimento do Brasil, alicerçado na indústria de transformação.

Em detalhado arrazoado à Nova Central Sindical dos Trabalhadores (+2084 palavras), Dowbor relaciona os seguintes tópicos:

• Gerar uma capacidade de controle efetiva de formação de monopólios e oligopólios, hoje limitada ao CADE inoperante: parece pouco realista, mas até nos EUA está se ampliando o movimento para fragmentar os gigantes corporativos;

• Assegurar políticas de apoio à pequena e média empresa, e as chamadas economias de proximidade, para inverter o processo de desindustrialização do país: a pandemia gerou um movimento planetário de revalorização do conceito de autossuficiência dos países, pelo menos em produtos básicos;

• Assegurar políticas de crédito efetivamente acessíveis às empresas, reduzindo o espaço da agiotagem utilizada pelas principais instituições financeiras: o dinheiro, como vemos na China, tem de ser produtivo;

• Temos de voltar a tributar os lucros e dividendos distribuídos, com particular incidência sobre os dividendos, que constituem rentismo improdutivo: ao ver que ganhar sem produzir é tributado, poderão esses grupos voltar a se interessar por processos produtivos;

• Gerar políticas de apoio ao desenvolvimento local integrado, em particular com complementaridades interindustriais e a economia circular de reutilização: as novas tecnologias também permitem formas descentralizadas de produção, tanto pelas técnicas de produção como pela facilidade de conexão com mercados mais amplos.

• Planejar de forma adequada infraestruturas de transporte, comunicação, energia e acesso a água e saneamento, que podem assegurar “economias externas” para os produtores: produzir mais barato e de forma competitiva depende muito das infraestruturas que dão suporte aos processos produtivos.

Na Plataforma Emergencial e de Reconstrução Nacional há mais, destacadamente a prioridade nas encomendas de Estado às empresas genuinamente nacionais, ao lado dos financiamentos públicos e outras políticas, como aqui sugerido.

Ladislau Dowbor é formado em Economia Política pela Universidade de Lausanne, na Suiça; Doutor em Ciências Econômicas pela Escola Central de Planejamento e Estatística de Varsóvia, na Polônia (1976).

Atualmente é professor titular no departamento de pós-graduação da PUC-SP, nas áreas de economia e administração

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Instituto Cultural Israelita Brasileiro, conselheiro da CNTU e Aguaviva, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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