Lula e o salário mínimo

Paulo Kliass, no Vermelho

O artigo abaixo (principais trechos) foi publicado previamente à reunião presidencial com as Centrais Sindicais de 18.1.2023, em que Lula determinou um grupo de trabalho para estudar o reajuste do piso salarial no Brasil.

Um dos pontos mais discutidos e defendidos por Lula ao longo da campanha eleitoral foi a necessidade de restabelecer uma política de valorização real do salário mínimo.

É plenamente possível sustentar uma gestão econômica tendo o papel decisivo do Estado com investimentos capazes de gerar um ciclo virtuoso de crescimento econômico, a valorização do trabalho, geração de emprego com dignidade, formal e com direitos, distribuição de renda, sobretudo pela ampliação da massa salarial e institucionalização de uma política de valorização substancial do salário mínimo, visando à recuperação do poder de compra determinado pela Constituição, a formatação e manutenção de políticas universais para a redução de desigualdades.

A chamada “renda do trabalho” contribui para assegurar a demanda do mercado interno e pode operar como grande impulsionadora da elevação do consumo, com consequências diretas para um ciclo virtuoso de crescimento com previsão de sustentabilidade no tempo.

É necessário superar o fiscalismo

Ocorre que o terrorismo econômico exercido pelo povo da finança termina por deixar acuada também parcela de integrantes do novo governo, que terminam por ceder, até de forma inconsciente ou involuntária, às pressões do financismo. Ainda é cedo para sabermos se existe uma rota previamente definida, mas alguns elementos do primeiro pacote anunciado elo Ministro da Fazenda padecem desse problema. Haddad insiste na retórica da busca de um superávit primário, ainda que reconhecendo não ser provável que isso seja alcançado em 2023.

Assim, nesse conjunto, a questão do salário mínimo é vital. Ao se recusarem a promover um reajuste para R$ 1.320 mensais, setores da área econômica passam o recado de que os R$ 7 bilhões a mais que seriam necessários para fechar essa conta seriam um impeditivo pela lógica da responsabilidade fiscal. Uma loucura! Basta olhar para os R$ 700 bi que estão sendo gastos – de forma livre, leve solta – para pagar os compromissos de juros da dívida do governo federal. Afinal, não existe razão para que o governo já inicie seu mandato com um compromisso de buscar equilíbrio fiscal fictício. Vivemos um tempo extraordinário, fora da normalidade democrática, republicana e institucional. A superação do mesmo e de sua crise vai exigir medidas também extraordinárias.

Os R$ 18 que fazem a diferença entre os R$ 1.320 prometidos e aquilo que Haddad diz ser possível honrar mal pagam três passagens de ônibus na maioria das capitais brasileiras ou três quilos de arroz ou três litros de leite. Lula sabe disso e muito mais a esse respeito. Talvez a reunião marcada com as centrais para 18 de janeiro seja um bom momento para marcar uma posição mais racional e consequente a esse respeito.

Os R$ 18 que fazem a diferença entre os R$ 1.320 prometidos e aquilo que Haddad diz ser possível honrar mal pagam três passagens de ônibus na maioria das capitais brasileiras ou três quilos de arroz ou três litros de leite. Lula sabe disso e muito mais a esse respeito. (+811 palavras, Vermelho)

Também de Kliass, entre outros, A eterna chantagem do financismo, O imbroglio do Banco Central, Austeridade sob Lula 3.0, Bolsonaro, o Copom e a Selic e Desvio de função no Conselho Administrativo de Defesa da Concorrência.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, conselheiro da Casa do Povo, EngD, CNTU e Aguaviva, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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