Logo antes da divulgação da inflação de maio, que mostrou o IPCA de doze meses abaixo de 4%, estreou o programa semanal LiveBC, no qual Gustavo Igreja recebeu o diretor Maurício Moura, ambos especialistas de carreira da autoridade monetária, para explicar em termos simples como funciona a política monetária do Banco Central do Brasil.
Entre juros e inflação alta, Moura escolheu esta como pior para a economia brasileira e, por conseguinte, mais danosa para o governo, as empresas e as famílias. Explicou que os juros elevados são temporários, mas os danos da alta desenfreada de preços seriam muito piores.
O diretor assegurou que a taxa básica de juros vai cair “assim que as condições permitirem”. Não agora, explicou, porque o BC espera que a inflação suba ainda em 2023 e caia somente no ano que vem.
A meta de inflação é fixada externamente ao Banco Central, que se utiliza de instrumentos que julga capazes de coloca-la no patamar determinado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Ele explicou que o BC trabalha com detalhado mapa de riscos e observa a inflação corrente, que está em queda, e a expectativa de inflação futura, fator considerado mais importante na avaliação do Comitê de Politica Monetária (Copom – integrado pelo conjunto dos diretores da autarquia) para fixar a taxa Selic.
Deu o didático exemplo do carro em ponto morto descendo a ladeira: para não se chocar contra o muro ao final, tanto mais força de frenagem é necessária quanto mais rápido e carregado o veículo estiver. A taxa de juros seria o freio e a velocidade, a inflação.

Questionado pela assistência sobre os juros no Brasil serem os mais altos do mundo e o BC atender mais ao rentismo que ao emprego, Moura explicou que a guerra na Ucrânia impactou negativamente os preços no Brasil e o juro neutro nacional é maior que o das economias avançadas, mas a Selic não está tão alta como mereceria a situação, a limitação ocorre para suavizar seus impactos sobre a economia e o emprego.
13,75% ao ano sinalizariam, segundo o diretor, que o BC está cuidando do interesse público no que tange à inflação, não das expectativas privadas dos rentistas que recebem este ano, como de praxe, centenas de bilhões de reais do amargo remédio anti-inflacionário que talvez surta efeito no próximo ano.
Os 30 minutos do programa não foram suficientes para abordar muitos pontos desta atividade mais sensível do Banco Central, mas a série promete retornar ao público todas as segundas-feiras, às 14 horas.
Entre as pendências, a eficácia da atual política monetária, o alto custo do crédito ao investimento privado e consumo das famílas e como fará o BC para cumprir sua obrigação legal com o fomento ao pleno emprego, entre outros.


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