Sobre o caráter nacional da revolução brasileira (parte 1)

Na mesa de debates sobre alternativa socialista do Seminário da Fundação Maurício Grabois “PCdoB centenário e contemporâneo“, Carlos Lopes lembrou Claudio Campos, para afirmar que, “no Brasil de hoje, a questão nacional é exatamente o cerne e o centro da questão democrática.

O palestrante procurou responder à questão: “as transformações revolucionárias necessárias e possíveis, em nosso país, são transformações socialistas, isto é, a socialização dos meios de produção?”

Após ponderar que “é evidente que não são transformações com esse caráter as que estão na ordem do dia”, Lopes complementou que “considerar o problema desta maneira, como se as transformações socialistas fossem as transformações revolucionárias necessárias e possíveis, seria afundar-nos na paralisia e, na prática, desistir da luta”.

O dirigente resgatou a experiência teórica e prática internacional, e do próprio Brasil, para determinar o que é fundamental:

O principal obstáculo ao nosso desenvolvimento são os laços de subordinação ao imperialismo – ou, na linguagem da Internacional, em resolução aprovada ainda durante a vida de Lenin, o Brasil é um país oprimido e explorado pelo imperialismo.

Como condição da dependência, duas são as principais consequências para o país: “uma miséria e fome que têm sido crônicas, apesar de terem piorado nos últimos anos” e “o encolhimento do setor manufatureiro [que] corresponde a um decréscimo no potencial de crescimento do país”.

No próximo bloco destacaremos como os revolucionários brasileiros chegaram a essa conclusões para, à sequência, falar mais sobre os efeitos da dependência sobre a economia e apresentar as conclusões de Carlos Lopes.

Carlos Lopes é psiquiatra, diretor da Hora do Povo e vice-presidente do PCdoB. Autor também de Frente Ampla Democrática: experiências acumuladas e possibilidades atuais.

Íntegra do pronunciamento: A Revolução Brasileira e o socialismo.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Sindicato dos Escritores no Estado de São Paulo e da Engenharia pela Democracia, conselheiro da Casa do Povo, Sinal, CNTU e Aguaviva, membro do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.