Sobre o caráter nacional da revolução brasileira (parte 3)

Na mesa de debates sobre alternativa socialista do Seminário da Fundação Maurício Grabois “PCdoB centenário e contemporâneo“, Carlos Lopes também tratou dos efeitos da desnacionalização no “setor dinâmico para o crescimento do país, a indústria da transformação“.

Sobre o Investimento Estrangeiro Direto (IED), Lopes lembrou que a apologia a ele “nunca deixou de existir em nosso país, mas adquiriu fúria redobrada com o neoliberalismo, em especial no governo Fernando Henrique e depois”.

“Havia até mesmo a teoria de que o IED é mais benéfico ao país do que o capital meramente especulativo (Investimento Estrangeiro em Carteira), porque seria investimento em empresas, ao contrário do outro, que é investimento em papéis, em geral títulos públicos”, complementou, esclarecendo que, “no entanto, o problema são os danos que o Investimento Estrangeiro Direto causa à economia nacional”.

Sumariamento, segundo Lopes, são eles:

Primeiro: a maior parte do Investimento Estrangeiro Direto não entra no país para instalar novas fábricas ou unidades de produção, mas para comprar empresas brasileiras, que passam, assim, a ser filiais estrangeiras, remetendo lucros para o exterior, que antes ficavam aqui.

Segundo: uma parte dessas empresas compradas pelo IED são fechadas, para que a produção nacional seja substituída por importações.

Terceiro: uma parte do IED é composto por empréstimos intra-companhias, ou seja, empréstimos entre matriz e filiais, sem nenhum benefício para o país.

Quarto: o efeito geral é a desindustrialização, com a primarização crescente das exportações, ou seja, a diminuição da parcela de produtos industriais e aumento da parcela de produtos primários nas exportações, com a consequente deterioração dos termos de intercâmbio, isto é, troca desigual com o exterior.

Quinto: os investimentos feitos pela filiais e subsidiárias das multinacionais são realizados com recursos (lucros e empréstimos obtidos inclusive em bancos oficiais) dos países em que estão instaladas – e não do país onde se encontra a sua matriz – aumentando o grau de espoliação a esses países.

Sexto: o estabelecimento sistemático de operações de superfaturamento e subfaturamento nas relações de compra e venda entre a matriz, nos países centrais, e as filiais, nos países dependentes. Esta é uma forma especialmente predatória para países como o Brasil (veja Constantine V. Vaitsos, Distribuição de Renda e Empresas Multinacionais).

Carlos Lopes é psiquiatra, diretor da Hora do Povo e vice-presidente do PCdoB. Autor também de Frente Ampla Democrática: experiências acumuladas e possibilidades atuais.

Íntegra do pronunciamento: A Revolução Brasileira e o socialismo.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, conselheiro da Casa do Povo, CNTU e Aguaviva, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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