Valorização do trabalho e fortalecimento do mercado interno

Dependência que sobreviveu à Proclamação da República

À construção do novo projeto nacional de desenvolvimento em debate na Fundação Maurício Grabois, Carlos Alberto Pereira procurou demonstrar “que a Revolução de 1930, liderada por Getúlio Vargas, pelo movimento tenentista e pelo empresariado nacional, foi uma revolução nacional, democrática e anti-imperialista, que derrubou a oligarquia cafeeira do poder, promovendo, assim, a burguesia industrial.

Pereira também fixou como objetivos à sua contribuição, cuja parte introdutória reproduzimos abaixo, demonstrar que

  • a crise estrutural do capitalismo, em sua fase imperialista, cria as condições objetivas para a revolução;
  • a revolução de 1930 liberou com grande potência as forças produtivas, durante quase 50 anos;
  • a revolta em São Paulo, ocorrida em 1932, assim como o levante Integralista de 1938, foram movimentos contrarrevolucionários, para restabelecer da situação anterior, e, que o Estado Novo foi uma resposta à ameaça de contrarrevolução;
  • a industrialização foi sustentada, no mercado interno, pela instituição do salário-mínimo digno para uma família de 4 pessoas; e
  • o desenvolvimento das forças produtivas no país não cabia mais na camisa de força da monocultura cafeeira. Que estratégia de industrializar a partir do mercado interno possibilitou a conquista de tantos direitos, o que só é possível em momentos revolucionários.

A degeneração econômica e política da oligarquia cafeeira e a dependência ao imperialismo inglês.

O café representava 71% das exportações. Em 1901, a produção nacional de café atingiu 16,3 milhões de sacas, enquanto o consumo mundial era de apenas 15 milhões. O problema se tornou mais grave com a política de valorização do café.

O Acordo de Taubaté, de 1906, garantia a aquisição dos excedentes da produção de café, com os empréstimos dos bancos ingleses. O “livre comércio” garantia o abastecimento de produtos industrializados ingleses para o mercado interno.

Estoques se acumulariam e os bancos exigiam receber seus empréstimos. O governo drenou os recursos do conjunto da sociedade para garantir lucros à oligarquia cafeeira e ao sistema financeiro internacional, à custa da expropriação dos demais setores da sociedade. Essa política perdurou até a Revolução de 1930.

O preço internacional caiu de 22,5 centavos de dólar por libra-peso, em setembro de 1929, para 8 centavos, em setembro de 1931. O valor das exportações caiu de US$ 445,9 milhões, em 1929, para US$ 180,6 milhões, em 1931. Tornaram-se escassos os créditos externos. As eleições eram uma farsa grosseira. Voto a bico de pena – aberto e não secreto – voto de cabresto. A designação das mesas eleitorais é feita pelos presidentes das casas legislativas. Os votos eram incinerados. Restavam as atas, sob o controle dos presidentes. Por fim, para alijar os candidatos oposicionistas, as comissões de verificação das Assembleias Estaduais e da Câmara Federal promoviam a degola: como ficou conhecido o ato de transformar candidatos vencedores, em derrotados.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central e do Instituto Cultural Israelita Brasileiro, conselheiro da CNTU, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

5 comentários em “Valorização do trabalho e fortalecimento do mercado interno

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