Valorização do trabalho e fortalecimento do mercado interno (parte 3)

O terceiro bloco das considerações de Carlos Alberto Pereira volta-se ao fortalecimento do mercado interno, sob a ótica do nacional-desenvolvimentismo.

Construção da Companhia Siderúrgica Nacional

Sobre o investimento público

O capital estrangeiro que dispunha de tecnologia para o setor de bens de capital, não tinha interesse em desenvolver o setor de máquinas, equipamentos e insumos. Preferia obter superlucros na venda de seus produtos fabricados nas matrizes:

O setor 1, de máquinas, equipamentos e insumos básicos, requer plantas de elevada intensidade de capital. Por outro lado, a baixa taxa de lucro do setor desincentiva os investimentos privados. Portanto, a única forma de desenvolver o setor internamente foi através de empresas públicas. É o estado cumprindo seu papel na aliança com empresários e trabalhadores.

Cresce a industrialização, a produção de café de 1.776.600 toneladas, em 1933, foi caindo e em 1944 era de 686,686 toneladas. A importação de 416,6 milhões de dólares em 1929, caiu para 108,1 milhões de dólares, em 1931. A política de valorização do setor cafeeiro foi substituída pelo crescimento do mercado interno e pela atividade industrial. Na década de 1930 a atividade industrial cresceu 7,7% ao ano. Em 1937, a produção industrial era o dobro de 1929, a produção de bens de consumo popular cresceu 40% e a renda nacional 20%.

Fortalecer o mercado interno

Depois de 300 anos de relações do trabalho escravistas, feudais e semifeudais, a primeira medida tomada por Getúlio Vargas foi a formação de uma rede proteção ao trabalhador brasileiro. Getúlio estava convencido e inteiramente certo que a independência econômica significava uma economia sustentada na crescente melhoria das condições de vida do trabalhador. O mais significativo é que estas melhorias não causaram nenhuma hecatombe na economia como agouravam os neoliberais da época.

Ao contrário, foram poderosos fatores de dinamização da economia. Vejam o que Getúlio disse a respeito no seu discurso no 1.º de maio de 1938:

[…] Além dessas condições, é forçoso observar que, num país como o nosso, desde que o operário seja melhor remunerado, poderá, elevando o seu padrão de vida, aumentar o consumo, adquirir mais dos produtores, portanto, melhorar as condições do mercado interno.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Instituto Cultural Israelita Brasileiro, conselheiro da CNTU e Aguaviva, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

4 comentários em “Valorização do trabalho e fortalecimento do mercado interno (parte 3)

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