Sobre a ascensão do nazismo e a frente ampla

Josef Stalin

Para o predileto de Cogiolla, Stalin foi a materialização de todos os problemas que ele, Trotsky, não conseguiu resolver. Se a Frente Unida proletária só reuniu quatro pequenos partidos na Europa, a culpa era de Stalin; se o Estado Operário – a URSS – era burocrático, devia-se à liderança de Stalin; e o mau exemplo de Stalin era o que impedia os povos do mundo de se libertarem do jugo colonial. Claro, até as anexações de vizinhos pela Alemanha nazista não seria culpa de Hitler, mas de Stalin.

Talvez o acadêmico não tenha tido acesso ou tempo de conhecer a íntegra dos processos de Moscou, que redundou na depuração do Partido dirigente da União Soviética e na substituição do alto mando do Exército Vermelho, a partir de 1937. O próprio comando alemão teria alegado, segundo fontes citadas no artigo, serem as traições dos oficiais soviéticos e líderes partidários uma invenção deles próprios, no intuito de imobilizar as forças armadas do país do leste “por dez anos”. Aqui bastaria dizer que em apenas oito sofridos anos vinte milhões de soviéticos deram a vida para libertar a Humanidade e hastear a bandeira vermelha sobre o Reichstag, marcando a 9 de Maio de 1945 o fim da segunda guerra mundial.

No terreno econômico, de Stalin reclamava Trotsky da falta de ajuda no avanço das “relações agrárias” mundo afora. Os camponeses do país natal de ambos plantavam sobre terras públicas, serviam-se de maquinário agrícola do Estado e vendiam o excedente de produção no mercado que ainda existia na URSS. De 1933 em diante, safras recordes todo ano. Um país agrário, que se tornou industrial e foi capaz de prover por conta própria os insumos militares suficientes para se encarregar de duas terças partes do esforço aliado de guerra. Um bom exemplo para os estrangeiros.

No próprio artigo o acadêmico da USP reconhece que a União Soviética, vinte anos antes “incapaz” de ser protagonista do progresso econômico, pôs-se ao par do “mundo capitalista”. Não de tal ou qual economia, mas do “mundo” resultante da crise de 1929.

Quando os países a oeste da URSS assinavam tratados e acordos verbais de não-agressão com a Alemanha, fez o mesmo o país soviético. O interesse evidente do grande capital transfronteiriço de minar a construção socialista não era desconhecido de ninguém. E o decreto original da Paz de 1917 ainda guiava o país do Estado Operário.

No entanto, Trotsky achava que, sob o comando do “generalíssimo”, a URSS foi pega de surpresa em 1941. O exército dos EUA não concordava com ele: na série instrucional Por quê lutamos? é bem clara a estratégia soviética. Como traz Coggiola aos leitores, desde a Suíça o líder da revolução permanente dizia: “… Stalin reconhecia que a guerra entre Alemanha e o Ocidente era inevitável”. Faltou referenciar que a frase é de 1931 e que, segundo o líder máximo das repúblicas soviéticas, dez anos seriam necessários para a preparação para a vitória. O embaixador estadunidense Joseph Davies esteve por lá entre 1936 e 38 e é testemunha dessa ocular preparação.

Há vasta literatura para ampliar a análise desse período crucial da história humana. Por ora, basta saber que a linha divisória entre o progresso e o retrocesso humanos está hoje em dia entre os que defendem a vida e a necropolítica. Escolhemos o primeiro campo, sapiens que somos.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central e do Instituto Cultural Israelita Brasileiro, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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