Sobre a ascensão do nazismo e a frente ampla

A ascensão do nazismo

Coggiola aponta com razão o vínculo entre a crise econômica global, que sucedeu à quebra da bolsa novaiorquina de 1929 e teve fortes reflexos inflacionários na Europa, com a ascensão do fascismo no velho continente, sob diversas roupagens.

O então pequeno partido nacional-socialista dos trabalhadores alemães, fundado em 1919, formado de início por uns poucos psicopatas degenerados, cresceu pregando a Alemanha eterna e pura, futura “senhora do mundo” às custas do trabalho escravo e dos territórios dos “comunistas” a leste e “decadentes” a oeste.

O derretimento da moeda alemã e o desemprego maciço entre a juventude facilitaram a formação de milícias paramilitares entre as camadas da pequena-burguesia espantada, segundo o autor, pelo “nivelamento social” por baixo.

Nos anos 1930, o grande capital alemão via Hitler como bom instrumento para a recomposição da sua margem de lucro e o financiou, elevando em pouco tempo o quadro nazista de algumas dezenas de milhares de militantes para 800 mil integrantes. A indicação do nazista para chanceler 1933 levou a um rápido fechamento do espaço democrático nos anos seguintes.

Uma reforma constitucional retirou poderes do Reichstag (parlamento alemão), dos governadores e prefeitos e transformou as milícias em forças armadas oficiais. Foram trocados todos os servidores públicos civis e militares por indicados juramentadamente fieis ao governo, suprimidos os sindicatos não alinhados e as eleições representativas.

O dinheiro público foi repassado às grandes indústrias e bancos alemães sob a forma prioritária de encomendas de guerra. Aos não arianos foram reservados campos de concentração em que o trabalho custava 0,70 marcos mas rendia aos contratantes nove vezes mais.

Ao lado da retomada da produção com bases bélicas, uniformes foram distribuídos, livros queimados, sindicatos expropriados e vitrines quebradas. Até que um dia os poderes foram plenamente concentrados nas mãos de Hitler e sua trupe, tratos e contratos internacionais de não agressão foram ignorados e começaram as invasões ao estrangeiro.

As semelhanças do partido em construção pela família presidencial com o modelo que tanto custou à humanidade derrotar talvez não sejam meras coincidências: o acampamento dos 300 fascistas em Brasília, desmontado por ordem judicial, foi mais de uma vez saudado em pessoa pelo Presidente da República Federativa do Brasil, em pleno período de isolamento social.

Se o Estado de Direito e a ampla frente em defesa da democracia têm sido capazes de conter os seus atos, talvez não o dissimule do insano desejo de tomar o país só para os seus, massacrando essa moçada bronzeada que dia-a-dia luta para construir um futuro de harmonia, paz e progresso nacionais e humanitários.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central e do Instituto Cultural Israelita Brasileiro, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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