Ao mestre, com carinho

Horácio Sendacz

Em 28 de Junho de 1949 “ganhei” um exemplar irmão mais velho – e não só pelo bom encaminhamento ao Parque São Jorge em 1968 e ao Maracanã em 1976. De retidão de princípios e bom humor que sempre lemos em suas crônicas, nele tive inspiração para ser quem eu sou.

No dia 18, nos presenteou com mais uma história, que compartilho abaixo. E que muitas outras sejam escritas nos muitos anos de vida que vêm por aí.

“Quem diria! Já estamos em junho! Estamos convivendo há cerca de 90 dias com o confinamento e a maioria de nós está se adaptando às novas rotinas. No início da crise, em março, muitos achavam que tudo duraria apenas uns poucos dias, apesar dos exemplos claros do que ocorria em outros países.

Mas eu sempre fui um eterno otimista!

Mesmo porque já passei por isso. No início dos anos 1980, minha filha Selene, com apenas oito anos, contraiu uma doença rara, a “glomerulonefrite rapidamente progressiva”. No início, com meu tradicional otimismo, eu a vi doente e achei que seria apenas uma gripe mais forte (ela apresentava febre, mal estar, etc.). Então a levei a um hospital, achando que ela seria diagnosticada e medicada, voltando em seguida para terminar o tratamento em casa. Mas não foi bem assim. O que realmente aconteceu é que ela foi retida pelos médicos e ficou internada e em tratamento, por longos 42 dias, sendo quatro deles em estado de coma. Nessa altura, eu tive de mudar minhas prioridades e aprender a me adaptar àquela nova rotina.

Hoje, há quem fale do término da crise do coronavírus aqui no Brasil em julho, ou em agosto, ou além. Eu havia programado uma breve viagem com minha família para abril, para um destino próximo, a qual oportunamente remarquei para outubro, uma data que hoje não estou seguro de poder cumprir. Outra viagem que eu havia programado para este ano, ficou para 2021.

Meus problemas hoje, comparados com as dificuldades da maioria da população brasileira, são pequenos. Tenho tido, todo esse tempo, um teto seguro e comida na mesa.

Todos os dias agradeço por ter saúde, eu e os meus. Querendo ajudar os menos favorecidos, pratico meu voluntariado, dentro das limitações do confinamento.

Faço isso mesmo sabendo que sou apenas uma gota no Oceano, mas porque sei também que, sem mim, o Oceano seria um pouco menor.”

Faço isso mesmo sabendo que sou apenas uma gota no Oceano, mas porque sei também que, sem mim, o Oceano seria um pouco menor.”

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central e do Instituto Cultural Israelita Brasileiro, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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