Notas de um engenheiro sobre as questões econômicas atuais

Os engenheiros do Centro Democrático, por meio do seu presidente Luiz Proost, perguntaram a este colega de profissão sobre como retomar a atividade no pós-pandemia, abrindo oportunidade para a súmula abaixo, apresentando cenários com incursões na matéria econômica.

Aprendi com os economistas que o capitalismo tem seus ciclos de crise curta e longa, por vezes num movimento ascensional há quedas que não mudam a tendência geral e vice-e-versa. No pós guerra o movimento foi crescente (mas não linear) até os anos 70, período conhecido como anos dourados. De lá para cá, encolheu, mesmo com rompantes de crescimento.

Na crise financeira global de 2008 o que observamos na China foi um aumento de PIB de “apenas” 3% e, do lado dos EUA, uma forte intervenção estatal em favor dos too “big to fail”, em especial do sistema financeiro, com injeção de 18 trilhões de dólares sem lastro. Hoje, todos caíram, mas tudo indica ser novamente a China, que já passou a economia estadunidense quando se compara pelo poder de compra da moeda, a primeira a sair. Nos EUA, Europa e Japão, os governos traçam medidas não só para os grandões, mas para colocar dinheiro na mão do povo, repetindo em parte Delano Roosevelt, como você relatou.

Qual a diferença dos modelos de sucesso? Tenho impressão de que o Estado cumpre papel não só protagonista como também determinante na superação das crises do capitalismo, a China é o melhor exemplo disso nos dias de hoje. Como abordamos na análise da obra de Elias Jabbour, historiador e “chinólogo”, a cada momento o governo trata das questões concretas que obstaculizam o crescimento e a distribuição de renda no populoso país.

No Brasil, Nilson Araujo explica que a crise vem desde 2014 – três anos de recessão, três de estagnação, com PIB decrescente ano passado e negativo neste, o que poderia ter ocorrido mesmo sem a crise sanitária. E Belluzo complementa resgatando as mesmas histórias que ilustraram a sua colocação. Ambos apresentam seus caminhos para o Brasil de hoje, que endosso em grande medida.

São economistas “de esquerda”? Mônica de Bolle, Bresser-Pereira e mesmo ex-presidentes do BC como Henrique Meirelles e Armínio Fraga vão se somando o que se está apelidando (opa, gerúndio demais, professor!) de União Heterodoxa pela expansão monetária.

Temos na mão uns quatro trilhões. A metade em forma de reservas internacionais e a outra divide-se entre o caixa do Tesouro e a recente injeção-relâmpago de R$ 1,3 trilhão de liquidez no sistema financeiro.

Ajudar as pessoas a ficarem em casa, as empresas ficarem com as contas em dia e Estados e Municípios para enfrentar melhor o combate ao vírus já seria nobre uso desses recursos, em favor da vida.

Mas todos os especialistas concordam que isso talvez nem seja necessário, até porque a ajuda chega lenta e diminutamente aos que dela necessitam. Dá para “imprimir” dinheiro em boa escala sem causar inflação, é só ver os índices dos EUA após o quantitative easing.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central e do Instituto Cultural Israelita Brasileiro, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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