Carestia, desemprego, endividamento e inadimplência

Como se relacionam a carestia de 6,3% sobre os mais pobres e 6,8 milhões de pedidos de seguro-desemprego com o aumento do endividamento das famílias brasileiras e da inadimplência nas contas de luz?

Na primeira semana de 2021 a imprensa informou:

O Índice de Preços ao Consumidor – Classe 1 (IPC-C1) divulgado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), nesta quinta-feira (7), acumulou alta de 6,30% em 2020. O IPC-C1 mede a variação de preços de produtos e serviços para famílias com renda entre um e 2,5 salários mínimos.”

Os pedidos de seguro-desemprego aumentaram 1,9% em 2020, na comparação com o ano anterior, segundo dados da Secretaria Especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia. Ao todo, foram registrados 6,784 milhões de solicitações do benefício no ano passado, contra 6,655 milhões em 2019.”

O número de brasileiros com dívida voltou a crescer no final do ano passado, atingindo 66,3% dos consumidores em dezembro, segundo pesquisa a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) da Confederação Nacional do Comércio (CNC). Uma alta de 0,3 ponto percentual em relação a novembro e de 0,7 ponto percentual na comparação com dezembro de 2019.”

De acordo com o Boletim de Monitoramento Covid-19, divulgado no início desta semana (4) pelo Ministério de Minas e Energia (MME), em novembro a inadimplência ficou em 5,22%, contra uma média de 3,75% de janeiro a outubro e uma média mensal de 1,93% em todo o ano de 2019.”

A correlação é simples, intuitiva até. A redução observada da taxa de lucro dos negócios, própria das crises cíclicas do capitalismo, induz seus proprietários a um esforço por soergue-la. Três são os pontos em que age: dizimar a concorrência, reduzir os custos operacionais, mormente a mão de obra empregada, e aumentar os preços.

O alívio trazido pelo sucesso em uma ou mais dessas estratégias não é senão individual e momentâneo pois, no conjunto, reduz a capacidade de os clientes comprarem as mercadorias oferecidas porque elas ficaram mais caras, lhes falta salário, poupança e mesmo renda originária das suas propriedades imobiliárias ou mercantis. Além de comprar menos, em muitos casos se veem impedidas mesmo de saldar débitos de contas anteriores, como luz e carnês.

E como se inverte o sentido da “roda” econômica?

Com emissão monetária e ocupação da capacidade produtiva ociosa – máquinas e principalmente pessoas -, puxadas pelo Estado.

E, em meio à calamidade pública que assola o Brasil, com mais auxílio emergencial e vacina para todos.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Instituto Cultural Israelita Brasileiro, conselheiro da CNTU, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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