Rumos da economia (I)

Mesclar abordagem abrangente, capacidade de síntese e clareza na exposição são características esperadas dos grandes mestres. Foi o que vimos na aula magna ministrada aos dirigentes sindicais do servidores dos tribunais de contas.

Nilson Araujo de Souza* dividiu sua exposição de 50 minutos em duas partes: cenários internacional e brasileiro.

Serem cíclicas as crises do capitalismo é matéria dada. Os períodos de análise, no entanto, são dois. Segundo o economista ainda vivemos a fase longa de queda, iniciada nos anos 1970, após a expansão dos anos dourados do pós guerra.

Dentro de cada ciclo, como ilustra a figura baseada no PIB global percapita corrigido pela inflação, há flutuações para cima e para baixo.

Em um mundo onde papeis derivativos representam dez vezes a produção global, a economia liberal se mostra incapaz de superar a crise pandêmica, explica o economista. Em apenas sete semanas, 33 milhões de estadunidenses pediram seguro-desemprego. Desde a depressão que se seguiu ao estouro da Bolsa em 1929 não se via uma taxa tão elevada de desocupação – 14,5%!

Do outro lado do mundo, a China foi a primeira a sair da coronacrise e já retoma o crescimento compensatório à perda de 6,8% do primeiro trimestre do ano – com a metade das mortes brasileiras até agora.

Também em 2008 os chineses foram os que menos sofreram com a crise econômica global – cresceram menos enquanto as economias ocidentais e japonesa encolhiam de tamanho.

A nova geoeconomia indica que logo antes da pandemia a China representava a quinta parte da produção mundial, contra 15% dos EUA, aponta o professor. Em 1992, os chineses respondiam por 6,5% do PIB mundial, então amplamente liderado pelos Estados Unidos.

Araújo apresenta as razões: na China o Estado é determinante para a economia, tanto na regulação como na produção. Se em 2008 os EUA atuaram somente para salvar os bancos hoje retornam à velha lição de noventa anos: colocar dinheiro na mão das pessoas, para assegurar a quarenta e o poder de compra das famílias ser o indutor do crescimento econômico.

Prof. Nilson

*Nilson Araújo de Souza é pós-doutor em Economia, professor federal aposentado e ativo na Unila, ex-secretário de Estado do MS e autor de vários livros e artigos.

Leitura suplementar: Sino-projetamento.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central e do Instituto Cultural Israelita Brasileiro, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

2 comentários em “Rumos da economia (I)

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