Jetsons

A animação favorita da minha infância, nos 1960, certamente foi o desenho da Hanna Barbera: Os Jetsons. Quando visitei a Universal, no final do século passado, foi com Jorge que tirei uma foto, hoje perdida em algum canto do mundo do papel…

Outras séries de TV como Nacional Kid, Flinstones e o nosso querido Vigilante Rodoviário (e seu cachorro Lobo) não cativaram tanto a minha jovem atenção como a família do futuro.

Não que eu sentisse qualquer apreço pela relação desidiosa com o trabalho de Jorge Jetson, o adulto que sofria até o fim do expediente com a exploração do seu patrão e adorava o ócio da tarde. O que me encantava era o robô Rose, que cuidava das tarefas domésticas – da limpeza às refeições e até das lições das crianças -, liberando amplo tempo dos personagens para a produção intelectual e os relacionamentos à distância.

Sim, de consultas médicas a aulas de ginástica e práticas de meditação, de conversas com amigos e parentes a terapia remota, todo o tipo de impensáveis lives permeava os episódios animados. E, por certo, nada mais futurista do que o trabalho em casa…

Meu sonho infantil era ver funcionar no mundo em que vivemos a máquina de vestir, o carro aéreo com piloto automático e garagem no andar do apartamento, facilidades que permitissem a todos, sem exceção, uma vida dedicada às artes, ao esporte e ao lazer.

É claro que os anos me ensinaram que no meio do caminho tem a ciência e a engenharia, tem a engenharia e a ciência no meio do caminho, mas nada que não esteja ao alcance da espécie. A tecnologia de processamento e transmissão de dados hoje já armazena o conhecimento coligido por milhares de gerações e conecta as pessoas ao redor do globo todo. Pouco falta para a Rose Jetson cuidar do trabalho doméstico braçal…

Os anos me ensinaram que as mais humanas das nossas características são a consciência e o trabalho. Assim, os anos me fizeram preferir a fórmula de futuro de Gene Rodenberry e suas Jornadas nas Estrelas: um mundo sem dinheiro em que as pessoas façam sempre mais e melhor como razão de sua felicidade.

Mas nem por isso desisti de, um dia, literalmente dirigir pelo espaço urbano.

Leia também: História dos Quadrinhos.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Instituto Cultural Israelita Brasileiro, conselheiro da CNTU e Aguaviva, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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