Mercado de Capitais hoje

Vimos que o mercado de capitais pode ser tanto um mecanismo de financiamento de novos empreendimentos como também mera fonte de especulação financeira. Como ele tem funcionado no Brasil de hoje?

Segundo o presidente do Confecon, os investimentos estrangeiros configurariam como um dos pilares do desenvolvimento nacional. Como filosofava o ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso, seria algo como “desenvolvimento sob dependência”.

Desde o predomínio das teses neoliberais em solo pátrio – de Collor a Bolsonaro – a compra de ações por estrangeiros tem se limitado a enxergar o objeto adquirido não como uma empresa necessária à economia, mas como um ativo financeiro que proporciona retorno igualmente financeiro e só. Fechar a produção para facilitar a importação desde a matriz, aproveitar a oscilação das cotações de ações em bolsa para acumular mais algum, coisas assim parecem ser a lógica do que Hilferding já chamava há quase um século de capital financeiro.

O movimento da capital estrangeiro neste ano é bastante conhecido. A crise econômica derivada da sanitária promoveu o recolhimento dos valores às economias centrais, deixando à deriva os países dependentes. A eles têm sido oferecidos empréstimos com novas garantias e juros convenientes.

Já ensinava o velho Barão de Rothschild: “na crise, compre”. Isso explica a saída de capitais e a queda da Bolsa brasileira no início de 2020 e a subsequente alta nos dois últimos meses. Se até 21.2 o índice marcava mais de 110 mil pontos, desceu em um mês a 63 mil e agora está em 94 mil. Quem comprou na baixa ganhou pelo menos 40%*.

O estupendo movimento do mercado secundário de capitais não teve qualquer influência no caixa das empresas que tiveram suas cotas de capital negociadas em bolsa.

Nenhum emprego foi gerado, ou mesmo mantido, nem nenhuma instalação foi ampliada ou equipada com novas máquinas. Tão somente a propriedade do capital ficou mais concentrada nas mãos dos habituais vencedores do cassino financeiro.

Servimo-nos das lições de Fernando Nogueira da Costa e seu instrutivo blogue Cidadania e Cultura. Leia as matérias completas sobre o mercado de capitais brasileiro e a movimentação do capital estrangeiro no período recente.

*Quando nos referimos a “pelo menos” 40% é porque, além do movimento geral do período que teve a referida valorização, há vários movimentos de alta e baixa que também podem, e em geral são, aproveitados pelos “mais espertos da sala“.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central e do Instituto Cultural Israelita Brasileiro, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

3 comentários em “Mercado de Capitais hoje

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