Os mais espertos da sala

Taxação de grandes fortunas

Quem é do ramo financeiro está se esforçando para se dar bem durante e depois da crise sanitária. Enquanto a maioria das pessoas no mundo procura preservar a sua saúde, operadores de mercado procuram saídas para ganhar agora e depois também.

O Banco Itau emitiu relatório com as perspectivas econômicas mundiais e locais dos próximos meses e anos. Antes de adentrar nos números, ressalte-se que a Instituição Financeira considera correta a prioridade pública à saúde, ainda que os titulares do governo federal pouco digam sobre redirecionar compromissos financeiros para a defesa da vida.

Permitimo-nos reproduzir alguns gráficos, já que o estudo nos chegou pelas mídias sociais.

O que o banco diz é que o PIB mundial este ano encolherá um pouco, graças ao modesto crescimento chinês de 3%, mas que o ano que vem valerá por dois. No Brasil, o Itau se mostra ainda mais otimista: em 2021 aponta um crescimento de 5,5%, maior do que o triênio pós-recessão encerrado em 2019 e o dobro do crescimento anual em janeiro último, já compensado com folga as perdas do presente ano.

Em nível global, os analistas acreditam mesmo em um movimento semelhante à quebra da Bolsa estadunidense de 1929, só que com duração de um semestre. No final do ano, sempre com a China liderando, o ritmo seria retomado.

No estudo, a taxa Selic, juro básico da economia, permaneceria abaixo de 4% anuais. Mas não é o que seus pares de mercado estão querendo ver no futuro: o boletim Focus* de 13.3.2019 mostrar expectativa de remuneração do capital financeiro acima de 5% em 2021 e crescendo nos anos seguintes.

Os anos de trabalho junto à Autoridade Monetária brasileira nos ensinaram sobre a relevância da flutuação das taxas de juros e câmbio para a formação do resultado bancário.

Se, como mostra o estudo de uma administradora de cartões de crédito, também circulante nas mídias sociais, o comércio, exceto supermercados, farmácias e restaurantes delivery, está em baixa e com poucas encomendas a indústria, os ganhos financeiros com crédito são substituídos pelas apostas no mercado futuro.

Em Um pouco mais de três vinténs já havíamos abordado essa faceta do sistema financeiro. Neste momento em que a luta é pela vida, uma colaboração dos mais espertos na sala não seria ruim. Afinal, não temos que morrer para “salvar Wall Street“, como conclamou um certo vice-governador do Texas, EUA.

Leitura suplementar: Injeção de liquidez sem riscos.

*Boletim Focus é produzido pelo Banco Central do Brasil a partir de informações coletadas junto às Instituições Financeiras autorizadas a funcionar no país.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central e do Instituto Cultural Israelita Brasileiro, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

4 comentários em “Os mais espertos da sala

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