
O Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central trouxe o professor de Luiz Gonzaga Belluzzo, um dos 100 maiores economistas heterodoxos do século XX, para conversar com os servidores da Autoridade monetária sobre o tema do momento.
A mediação foi do Especialista do BCB Álvaro Lima Freitas Junior, também conselheiro soteropolitano do sindicato. Ele situou a taxa real de juros no Brasil como a maior do mundo para questionar se ela é imprescindível à colocação da inflação na meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional.

Álvaro lembrou também que os estudos técnicos de excelente qualidade produzidos pelo corpo funcional da autarquia embasam uma decisão política, que colateralmente reduz o crédito e aumenta o endividamento público.
Belluzzo começou pela crítica às teorias econômicas abstratas, desgarradas da situação real do indivíduo, visto unicamente como um coágulo monetário. Na economia monetária de produção a espiral capitalista roda a partir do dinheiro para produzir mais dinheiro, objeto principal de acumulação e riqueza.

Luiz Gonzaga Belluzzo
A moeda é instituição social e exige atuação política do Estado.
No pós-guerra, em que o dólar substituiu a libra como padrão global, todos os países aderiram a Bretton Woods, mantendo sua moeda nacional nas transações internas. Hoje o renminbi chinês confronta a moeda dos EUA, ainda a de maior reserva.
O professor lembrou que a inflação se relaciona ao papel do dinheiro como intermediário das trocas mercantis, configurando-se a moeda como crédito às pessoas físicas e jurídicas. Novos empreendimentos demandam mais recursos monetários, ou seja mais crédito. Assim, a regulação estatal da moeda precisa considerar também a atividade bancária, criadora de moeda e de crédito.
O aumento generalizado dos preços – a inflação – ocorre por pressão dos custos ou da demanda, e nem sempre foi controlada com instrumentos monetários de aumento de juros. Hoje em diversos países não o é. Na França, por exemplo, o direcionamento do crédito é o remédio principal; nos estados de bem-estar social a regra é o aumento da produção. Os estoques reguladores, especialmente de comódites, também jogam papel importante no controle da inflação.
Belluzzo concluiu lembrando Allan Bline: “a política monetária é uma arte”. A obrigação do banqueiro central é tanto manter a atividade econômica como controlar a inflação. Algo que evidentemente não está sendo cumprido no Brasil.

Um comentário em “Belluzzo e a hora certa de os juros baixarem no Brasil”