Os desafios econômicos do governo Lula

A Fundação Astrojildo Pereira, do Partido Popular Socialista, traz entrevista de 17 minutos com o professor José Luis Oreiro. Antes de concluir que o erro primaz de Bolsonaro na péssima condução da economia brasileira foi a própria indicação do “ultraministro” Paulo Guedes – ultraliberal e ideologicamente ultrapassado -, o convidado respondeu a três perguntas.

Se hoje o Brasil tem, ao lado do problema fiscal, um PIB per capita semelhante ao de 2011, como expandir os investimentos sociais sem perder o controle fiscal? Como retomar as políticas distributivas no novo mandato do presidente eleito Lula?

Oreiro explica: a equipe de transição pediu um extra-teto de 175 bilhões de reais, já aprovado no Senado, para que o Bolsa Família possa ser de R$ 600, aumento o valor de R$ 400 reservados no orçamento ao Auxílio Brasil, acrescido de R$ 150 por criança; além de despesas com pesquisa e até emissão de passaportes.

O excedente também permite retomar algumas obras paralisadas neste fim de governo, pois “sem investimento público em infraestrutura é impossível este país voltar a crescer de maneira sustentável”.

O que há de errado com a atual politica de juros brasileiros, que se prevê custar três vezes o orçamento do bolsa família em 2023?

“Serão mais de R$ 700 bilhões, quase oitocentos, quase o que o governo gasta com previdência social”, a maior despesa da União. Como lembrou Oreiro em debate com Armínio Fraga e outros, o risco país, medido por exemplo pelo JP Morgan, é hoje muito menor que em 2002, véspera da posse de Lula pela primeira vez. Um taxa de juros aceitável seria a composição da taxa internacional com o risco ao investimento no Brasil de hoje, algo como 7% ao ano, praticamente a metade da Selic atual.

O economista atribui a ocorrência ao fato de o Banco Central focar exclusivamente na inflação, embora a lei que estabeleceu a autonomia da autarquia trate de duplo mandato, obrigando-a a se preocupar igualmente com o nível de atividade econômica. Além da resposta monetarista inapropriada à inflação, Oreiro aponta a indexação de preços, salários e contratos ainda resiliente após o advento do real.

E resume o problema:

Não adianta fazer supervit primário para pagar R$ 800 bilhões de juros. Isso é impossível. Econômica, política e socialmente impossível.

José Luis Oreiro e professor do Departamento de Economia da UnB, autor dos livros “Macroeconomia do Desenvolvimento: uma perspectiva Keynesiana” e “Macrodinâmica Pós-Keynesiana: crescimento e distribuição de renda” e foi um dos organizadores da obra “Retomada do desenvolvimento – Reflexões econômicas para um modelo de crescimento com inclusão social”, lançada pela FAP em setembro deste ano.

O episódio conta com áudios do SBT News e do webinar O futuro das regras fiscais no Brasil, realizado na semana passada. O Rádio FAP é publicado semanalmente, às sextas-feiras, em diversas plataformas de streaming como Spotify, Youtube, Google Podcasts, Ancora, RadioPublic e Pocket Casts. O programa tem a produção e apresentação do jornalista João Rodrigues.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, conselheiro da Casa do Povo, EngD, CNTU e Aguaviva, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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