Programa de emancipação nacional

Quando a dependência externa, mormente do capital financeiro, fazia salgar a terra brasileira, Cláudio Campos legava à Nação as linhas mestras de um programa de emancipação. O documento, publicado a meados de 1995 na Hora do Povo, compõe o capítulo 24 do Pensamento Nacional-desenvolvimentista.

Treze anos antes, em seu informe ao 3º Congresso do MR-8, Cláudio explicava que “não se tratava de construir uma economia socialista, mas de romper com a dependência para desenvolver o capitalismo pátrio”. Assim, o programa de 1995 trazia as linhas mestras para a situação concreta do Brasil, como, nos anos 1950, apontava Getúlio sobre a emancipação nacional e, na década seguinte, indicava Jango o caminho brasileiro.

Situava o Secretário-geral:

A raiz da crise brasileira está no esgotamento, desde meados da década de 1970, de um modelo econômico que tem como característica básica a dependência externa e que, em consequência disso, tem que excluir a quase totalidade de nosso povo dos frutos do progresso. As riquezas aqui produzidas, em lugar de serem investidas no desenvolvimento do país, na geração de emprego e na melhoria dos níveis de vida dos brasileiros, vêm sendo apropriadas por monopólios estrangeiros, em conluio com uma oligarquia financeira interna.

A partir da posse de Collor de Melo, 7.500 filiais de empresas estrangeiras transferiram USD 9 bilhões, contra um investimento inferior a meio bilhão de dólares. A financeirização das relações capitalistas, a dívida externa e a deterioração crescente dos termos internacionais de troca também se faziam no país, expressos no aumento da miséria entre os brasileiros outrora donos de um crescimento econômico de 7% ao ano.

Sobre o esforço de desenvolver o Brasil sob a égide da dependência, Cláudio Campos resumia:

Esse é o caminho do desastre, porque, além da destruição e deformação da economia interna, provoca um elevadíssimo grau de vulnerabilidade externa.

Esse não é o caminho brasileiro. Não pode ser. Não é o caminho de um país que conta com incalculáveis riquezas naturais, imensas potencialidades agrícolas e um importante parque industrial, e já deu passos importantes no desenvolvimento científico-técnico. E, o que é mais importante, conta com um povo bravo e trabalhador, que, apesar dos terríveis sofrimentos a que tem sido submetido, chegou a construir a oitava economia do planeta, mesmo não tendo, até agora, usufruído de seus benefícios.

A proposta de Cláudio era no sentido inverso: “o primeiro passo, para libertar essas imensas potencialidades, é cortar as peias que atravancam nosso progresso, as peias da dependência externa”.

Em sua generosa vida, Claudio Campos foi um patriota e revolucionário como poucos, um ser humano ímpar. Foi Secretário-geral do MR-8 e fundador do jornal Hora do Povo em 1979. Sobre ele, reproduzimos um artigo de Carlos Lopes.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Instituto Cultural Israelita Brasileiro, conselheiro da CNTU e Aguaviva, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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