O Brasil na contramão do mundo

Romero, Carvalho, Queiroz e Moura, da UFMG

Os economistas da academia mineira avaliaram a mudança do perfil exportador brasileiro do último lustro, para concluir que “a continuidade de políticas que priorizem o capitalismo predatório em detrimento do avanço em setores mais tecnológicos e mais limpos, além de gerar maior degradação ambiental, pode ser um entrave para o próprio desenvolvimento econômico do Brasil no futuro próximo”.

O sumário executivo dá conta do regresso brasileiro do período 2016 a 2020:

  • A diversificação brasileira caiu de 196 indústrias competitivas em 2016 para 167 em 2020, num universo de 999 indústrias.
  • A quantidade de produtos competitivos aumentou somente no grupo de produtos primários, passando de 47 em 2016 para 49 em 2020.
  • A participação dos produtos primários na pauta exportadora aumentou de 37,2% em 2016 para 44,3% em 2020. • A participação dos produtos de média e alta tecnologia na pauta exportadora caiu de 20,2% para 14,2% e de 5,2% para 3,1%, respectivamente.
  • A quantidade exportada de madeira bruta aumentou 205% entre 2018 e 2020, acumulando impressionante aumento de 542% desde 2016.
  • A quantidade exportada de ouro aumentou 30% entre 2018 e 2020, montante expressivo para as características do produto.
  • O crescimento das exportações de madeira e ouro geram um alerta de que uma parte desse crescimento possa ser oriundo de atividades ilegais.
  • Ao contrário de Europa e Estados Unidos, o atual governo do Brasil segue uma estratégia de crescimento focada em setores primários e baseados em recursos naturais, que estão associados a maior intensidade de emissões de gases de efeito estufa e maior degradação ambiental, em detrimento de setores de maior intensidade tecnológica, que geram mais crescimento com menores impactos ambientais.

A opção pela reprimarização da economia brasileira não é tão recente e cobra severo preço, quando dezenas de milhões não têm emprego e a miséria se alastra em todo o território nacional.

Unir a Nação e romper com a dependência já traçava os riscos do processo em 1982. De lá para cá, mais ou menos aceleradamente, o neocolonialismo vem contando com a facilidade oficial para sua hegemonia no país.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Instituto Cultural Israelita Brasileiro, conselheiro da CNTU e Aguaviva, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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