Leon Trotsky
Osvaldo Coggiola coleta bastante informações sobre Leon Trotsky e sua aparente perspicácia de perceber à distância as contradições da luta antifascista.
O autor parece endossar a tese de que era possível aproveitar as contradições extremadas da crise capitalista vivida no mundo para um passo a mais que barrar o fascismo: proporcionar uma vitória global do trabalho sobre o capital, que vivia a sua fase imperialista. O desterrado ex-líder da Rússia soviética de 17 propunha a união tão somente dos proletários alemães contra o nazismo e as camadas médias que, à distinção de seu país de origem, deveriam optar pela proletarização ou ficar do outro lado da linha divisória, como aconteceu.
Bem sabido é que Leon Trotsky não era bolchevique, a corrente majoritária e líder da revolução soviética. No seu país de origem, que lhe encarregou de organizar as Forças Armadas, sempre declarou que a construção socialista seria inviável, dada a maioria camponesa ante a uma pequena classe operária. O mesmo não ocorria na Alemanha, bastante mais industrializada que a Rússia.
No texto em análise, há um destaque para o que nos parece uma auto-revelação trotskista, em razão da origem de classe do pensador: “se todo pequeno-burguês encardido não pode virar Hitler, uma parte deste se acha em todo pequeno-burguês encardido”; pensamos ser um exagero mas, mais uma vez, qualquer semelhança com os dias de hoje talvez não seja mera coincidência.
Sobre o embate de então, restam uma questão: há que se evitar hoje a repetição do indébito da estreiteza de certos setores que se autodenominam “de esquerda”, ante à unidade ampla das forças democráticas do Brasil governado não por Hitler, mas por um capitão que semelhantemente se julga o Messias, para além do nome com que foi registrado no século passado.
4 comentários em “Sobre a ascensão do nazismo e a frente ampla”