Banco Central e o coronavírus

O Presidente do Banco Central do Brasil esteve na noite do dia 4 de Abril na firma de investimentos XP para apresentar, antes mesmo de à Nação, os fundamentos das medidas em curso pela Autoridade monetária no enfrentamento à crise sanitária.

Roberto Campos Neto falou aos clientes convidados para a transmissão ao vivo sobre os cenários do mundo e do Brasil e resumiu como está cuidando para que o Sistema Financeiro Nacional permaneça sólido e eficiente, bem como o real mantenha, dentro do possível, o seu poder compra local e internacional.

Quando da implementação do primeiro bloco de medidas havíamos falado da injeção de liquidez sem riscos, mas conhecimentos supervenientes, como os de agora, mostram que lá não estava toda a verdade. Como se vê no material disponível no sítio do BCB, igualmente foram flexibilizadas as exigências de capital para novas operações de crédito em ordem semelhante ao crescimento de R$ 1,2 trilhão na liquidez do sistema.

A par de indicar medidas cerca de dez vezes mais onerosas, se corrigidas pela inflação, o diapositivo correspondente à página 30 da apresentação aponta expectativas de novos créditos à economia de R$ 3,2 trilhões, que ainda não ocorreram.

Mesmo com a estupenda oferta de dinheiro, ele ficou mais caro, desafiando o conceito mais básico de mercado. De mercado, não de monopólio. Quando o teto do crédito consignado foi reduzido de 3% para 1,8% ao mês, os intermediários obedeceram ao novo máximo. Só que antes da crise todos podiam contratar a 1.4% mensais!

Se o Brasil está disposto a comprar créditos de qualquer natureza em posse das Instituições Financeiras autorizadas a operar pelo BC, por que o juro não vai a zero, ou quase isso? Mais, por que parte dos recursos não é dirigido pelo regulador para operações de socorro social a fundo perdido?

Parte da resposta encontraria guarida na limitação legal imposta à ação do BCB, que assegurou aos participantes do encontro virtual estar usando todo o leque de ferramentas disponíveis. Mas mesmo antes da regulamentação do artigo 192 da Constituição federal de 1988, há espaço para ir além.

Há outros aspectos importantes apresentados pelo Presidente do BCB, que exigem um novo artigo. Por ora concluímos com o diapositivo da página 12, que mostra a ocorrência de recessão com ou sem isolamento social e a normalização da economia em prazo semelhante. Só que permitindo, com a contenção, salvar mais vidas de brasileiros do que sem ela.

Reproduzido na Hora do Povo.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central e do Instituto Cultural Israelita Brasileiro, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

4 comentários em “Banco Central e o coronavírus

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