Características do capitalismo contemporâneo e o aprofundamento de suas contradições

A Escola João Amazonas, da Fundação Maurício Grabois, propiciou um seminário de estudos avançados sobre a realidade corrente no Brasil e o mundo e as tarefas para superar as amarras ao desenvolvimento do Brasil e melhorar a vida do povo.

O primeiro debate envolveu a evolução e as dimensões da crise sistêmica do capitalismo, sob a dominância da financeirização; a exploração do trabalho e concentração de riqueza; avanços tecnológicos e transformações nas forças produtivas.; e a crise climática e destruição ambiental, entre outros aspectos.

Incumbiu ao médico e doutor em desenvolvimento econômico Aloisio Barroso apresentar as características da financeirização, que sucedeu à indústria e comércio como ferramenta principal de acumulação financeira no mundo capitalista.

O Diretor de estudos e pesquisas da Fundação promotora da jornada observou que o dólar estadunidense ainda é usado em mais da metade dos contratos internacionais, mas já representou dois terços do total; e lembrou que as big techs hoje são a “expressão máxima da oligopolização” no mundo capitalista.

Em um ambiente em que expectativas de ganhos futuros orientam o funcionamento das empresas, não o seu objeto social, Barroso trouxe o exemplo da gestora de fundos Black Rock, sediada nos EUA, que no Brasil participa do capital de grandes bancos e indústrias, como a Vale, a Petrobrás e o Banco Itaú. No mundo, ela controla algo como 6 vezes o PIB brasileiro em ativos, gestora que é de USD 11 trilhões.

O pesquisador sobre o desenvolvimento nacional da Fundação Maurício Grabois Diogo Santos tratou das características do capitalismo brasileiro contemporâneo, permeado pelo controle crescente pela burguesia financeira e forte dependência externa. Diante da presença de concentrado oligopólio bancário, predominam os empréstimos ao mercado de capitais como fonte de financiamento das empresas.

Mesmo dotada de tecnologia avançada, a economia reprimariza-se, explica o economista. Para enfrentar também esse efeito do receituário neoliberal adotado pelo Brasil nos últimos tempos, ele propõe medidas urgentes como a flexibilização do regime de metas de infação e da austeridade fiscal, bem como o incremento da proteção do trabalho, em tempos de aumento da exploração pelas plataformas.

A terceira exposição foi feita pelo filósofo maranhense Cristiano Capovilla, para quem a ideologia neoliberal é a condutora do capital portador de juros ao mundo digital. Se, no passado, o comércio com o Oriente ensejou a tecnologia náutica e o surgimento da indústria propiciou o controle da energia e a produção por máquinas, a reprodução capitalista de hoje se serve dos meios de processamento e comunicação para prosperar. São os “barcos a vela” e “estradas de ferro” do século 21.

A pós-verdade é efeito e instrumento dessa transformação na acumulação financeira, lembrou Cristiano, colocando em risco os próprios ganhos civilizatórios obtidos até aqui. A chama da civilização, concluiu, está nas mãos do proletariado, que deve comandar a construção do Estado nacional, voltado para o desenvolvimento econômico e social, e a regulação do sistema financeiro e do mundo digital.

O seminário contou ainda, após a abertura, com mesas sobre o declínio dos EUA e a ascensão chinesa, as experiências de construção socialista e o papel dos partidos comunistas na superação do capitalismo.

O seminário completo: 1 – Características do capitalismo contemporâneo e o aprofundamento de suas contradições; 2 – Declínio dos EUA e ascenção da China; 3- Os êxitos da China e do Vietnã; e 4 – O papel fundamental do Partido Comunista.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Sindicato dos Escritores no Estado de São Paulo e da Engenharia pela Democracia, conselheiro da Casa do Povo, Sinal, CNTU e Aguaviva, membro do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.