Oreiro: problema dos juros altos não é ‘dívida’, e, sim, Campos Neto que ‘representa o sistema financeiro’

Com informações da Hora do Povo

“Se o problema dos juros altos fosse por causa da gastança, do endividamento etc., como é que ele me explica o Japão, que tem uma dívida pública de 260% em relação ao PIB, e tem uma taxa de juro real próxima de zero, ou negativa?”, questionou o economista da UnB

Campos Neto disse anteriormente que a culpa pelos juros altos no Brasil é do governo, “que deve muito”. Disse ainda que no Brasil “nós falamos demais, gastamos muito tempo” discutindo se “a taxa Selic, se vai subir, cair”, afirmou Campos Neto, em evento promovido pelo próprio BC, em São Paulo. Segundo Campos Neto, nós temos que olhar para além disso, “precisamos focar nas reformas estruturais” feitas nos “países emergentes”.

Em sua fala, Campos Neto não especificou as reformas nem o país a que se referia. Mas devem ser as mesmas reformas neoliberais, típicas do fascismo de Pinochet no Chile, que são exaltadas por seu guru econômico, Paulo Guedes – ex-ministro da Fazenda de Bolsonaro-, que o colocou no comando do BC.

Crítico da política de juros alucinados no Brasil, o economista Luís Oreiro indagou:

Se o problema dos juros altos fosse por causa da gastança, do endividamento etc., como é que ele [Campos Neto] me explica o Japão, que tem uma dívida pública de 260% em relação ao PIB, e tem uma taxa de juro real próxima de zero, ou negativa?. Como é que ele me explica, que nos EUA, que têm uma relação dívida pública PIB de mais de 130%, como que eles têm uma taxa de juros real zero?

Para Oreiro, a “reforma estruturante” que o Brasil precisa é uma reforma monetária, que proponha “a desindexação geral e irrestrita dos contratos na economia, restabelecendo o real como a única unidade de conta da economia brasileira”.

O Plano Real não eliminou todos os mecanismos de indexação existentes na economia, basicamente  índices de inflação (como IPCA preços livres, IPCA cheio, IGP-M e IPA), controlados por diversas variáveis explicativas, como a taxa de câmbio efetiva, o hiato do produto (medida para a ociosidade da economia), o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), a taxa de juros real de curto prazo e a expectativa de inflação no boletim Focus.

Embora o Plano Real tenha desarmado o “efeito memória” da inflação, “a inflação média de longo prazo mostrou uma notável resistência a cair abaixo de 5% ao ano, devido à manutenção da indexação de preços para períodos superiores a um ano”, concluiu Oreiro. (+204 palavras, Hora do Povo)

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, conselheiro da Casa do Povo, EngD, CNTU e Aguaviva, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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