Sobre a contradição

Mao Tsé Tung

Era verão na China de 1937 quando Mao Tsé Tung sistematizava suas impressões sobre a natureza objetiva das coisas, dos fenômenos e do pensamento humano.

Segundo ele, “a lei da contradição inerente aos fenômenos, quer dizer, a lei da unidade dos contrários, é a lei fundamental da Natureza e da sociedade, por consequência a lei fundamental do pensamento.”

As contradições existem do início ao fim em todos os fenômenos da Natureza, e são exatamente o que lhe dão movimento, desde que surgem até que são extintos e substituídos por novos fenômenos, com novas contradições. No entanto, “cada contradição reveste-se de caráter específico”, observa Mao, cada espécie é estudada por um ramo da ciência. Assim, complementa, “contradições qualitativamente distintas só podem ser resolvidas por métodos qualitativamente distintos”.

A consciência da realidade expressa-se na contradição entre a ignorância, de início o aspecto principal, e o saber, contrários indissociáveis na luta pelo conhecimento da verdade. O estudo é uma batalha em que “é preciso guardar-se de ser subjetivo, de fazer exames unilaterais, de ser superficial”, diz Mao. Olhar os dois lados da questão e reconhecer o aspecto principal, dominante, é primaz para a inversão do próprio caráter da contradição. Nas palavras do estratega militar Suen Tse:

Conhece o teu adversário e conhece-te a ti próprio, que poderás, sem riscos, travar um cento de batalhas.

O líder chinês também destaca que “no processo, complexo, de desenvolvimento de um fenômeno existe toda uma série de contradições; uma delas é necessariamente a contradição principal, cuja existência e desenvolvimento determinam a existência e o desenvolvimento das demais contradições ou agem sobre elas.

Todos os processos têm um começo e um fim, todos os processos se transformam nos seus contrários. A permanência de todos os processos é relativa, enquanto que a sua variabilidade, expressa na transformação de um processo em um outro, é absoluta.” Somente nas histórias míticas ou para crianças, imaginárias, é que as transformações escapam à conversibilidade dos contrários entre si.

A luta entre os contrários permeia toda a vida do processo, desce que surge até que é substituído por outro, dando espaço a novas contradições. Mas nem sempre é antagônica, por um certo tempo os contrários podem conviver entre si. Somente quando o fenômeno natural é suficientemente desenvolvido a contradição “toma a forma de um antagonismo aberto e desemboca na revolução”. À guisa de conclusão, Tsé Tung registra:

Enquanto houver luta entre contrários, a contradição existe. Se a luta cessa, é porque a contradição desaparece, dando lugar a novas contradições.

Para esta sinopse, adaptamos para o português falado no Brasil a tradução de Fernando Araújo das Obras Escolhidas, publicadas na China em 1952, disponível em marxists.org.

Tema correlato: Sobre a Prática, Mao Tsé Tung, 1937

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, conselheiro da Casa do Povo, EngD, CNTU e Aguaviva, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

4 comentários em “Sobre a contradição

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