
Na mesa de debates sobre alternativa socialista do Seminário da Fundação Maurício Grabois “PCdoB centenário e contemporâneo“, Carlos Lopes concluiu que, no tempo presente nunca foi “tão evidente que o principal obstáculo ao nosso desenvolvimento é a subordinação ao imperialismo”.
O descaminho do governo Fernando Henrique, com o notório tripé macroeconômico, foi exacerbado, no atual governo Bolsonaro.
O financeirismo desarvorado faz com que, no momento em que a maioria da população geme sob a miséria, fome e carestia, os bancos privados tenham lucros hediondos no primeiro trimestre deste ano.
Enquanto isso, a indústria nacional definha em permanente anemia, segundo as palavras de uma entidade empresarial.
Quanto às estatais, a começar pela Eletrobrás e Petrobrás, que são o principal instrumento do povo brasileiro para romper com os laços de subordinação econômica, estão sendo atacadas ou colocadas contra a própria nação.
É possível dizer que esses são problemas conjunturais, que podem ser abordados apenas taticamente, sem tocar em questões estruturais, isto é, estratégicas?
Com certeza, não.
Removido Bolsonaro e o fascismo do governo, a tarefa de reconstruir o país certamente levará ao questionamento dos entraves ao nosso desenvolvimento.
Porque, sem a remoção também desses entraves, estaremos destinados à mediocridade, e, pior, à volta do que há de mais pútrido, neste país, ao governo.
E não há motivo para que estejamos destinados à mediocridade ou ao obscurantismo fascista.
Este é o aspecto mais próximo no tempo da questão que abordamos. Mas o fato de ser mais próximo não quer dizer que deixe de ser estratégico. O hábito de considerar os aspectos próximos como táticos – ou conjunturais – e os aspectos longínquos como estratégicos – ou estruturais – pode ser enganoso, até porque existe um momento em que aquilo que é tático coincide com aquilo que é estratégico.
A partir disso, é possível antecipar algo sobre a relação entre as questões nacionais e democráticas e a revolução socialista.

Carlos Lopes é psiquiatra, diretor da Hora do Povo e vice-presidente do PCdoB. Autor também de Frente Ampla Democrática: experiências acumuladas e possibilidades atuais.
Íntegra do pronunciamento: A Revolução Brasileira e o socialismo.

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