O cotidiano operário de Santos sob as sombras

Após retratar os cenários e personagens operários santistas da primeira parte da obra de mestrado de Rodrigo Rodrigues Tavares, apresentamos agora o terceiro bloco de A “Moscouzinha” Brasileira, referente aos dez anos de fechamento político que se seguiram à Intentona, período que compreendeu o chamado “Estado Novo”.

A relativamente rápida derrota militar da Intentona de 1935 deu margem à reação oficial do governo contra o Partido Comunista, colocado de pronto sob a vigilância das forças repressivas do Estado. Uma onda de prisões de militantes sindicais e partidários foi empreendida e os que estavam em liberdade agiam sob severas condições de clandestinidade. Uma das ações internacionalistas que precederam a entrada do Brasil na guerra mundial foi a solidariedade do proletariado santista aos republicanos da Espanha, para o que contou também a presença de estrangeiros entre a população da cidade.

A mobilização antifascista vivida pelos trabalhadores santistas acumulou para o vitorioso posicionamento brasileiro ao lado dos Aliados na Segunda Guerra. A política que vigeu entre os portuários e outras categorias nas suas entidades associativas que preservavam funcionamento legal era de “apertar os cintos”, buscando formar ampla unidade nacional contra o imperialismo.

Monumento aos santistas da Força Expedicionária Brasileira

A mobilização antifascista vivida pelos trabalhadores santistas acumulou para o vitorioso posicionamento brasileiro ao lado dos Aliados na Segunda Guerra. A política que vigeu entre os portuários e outras categorias nas suas entidades associativas que preservavam funcionamento legal era de “apertar os cintos”, buscando formar ampla unidade nacional contra o imperialismo.

Essas, no entanto, não foram as únicas facetas da política proletária da época.

Por quatro fatores diminuiu o número relativo de não-brasileiros em Santos: a natural sucessão de gerações; a à Espanha para a luta contra Franco; a migração, principalmente do Nordeste, de brasileiros em busca de oportunidade de trabalho no Porto; e a expulsão dos “súditos do Eixo”, envolvendo, no caso local, a saída do país de alemães, japoneses e italianos que não se posicionaram do lado brasileiro do conflito.

Como consequência, os bairros populares se tornavam cada vez menos “nações” e mais “operários”, destacando-se a orla como local dos mais endinheirados.

Macuco (cr. Novo Milênio)

Nesse novo cenário caiçara, as reivindicações migravam das questões classistas de outrora – os salários – para as questões do bairro e dos transportes: as habitações eram paupérrimas e desprovidas de saneamento público, enquanto as esperas eram por vezes de horas por uma condução na saída do trabalho.

A Santos da redemocratização de 1945 já não era mais a mesma de quinze anos antes. Mas novas experiências estavam por vir na urbe litorânea.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, conselheiro da Casa do Povo, EngD, CNTU e Aguaviva, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

2 comentários em “O cotidiano operário de Santos sob as sombras

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