A praça foi, é e sempre será do povo

Shtetl designa, na língua ídishe, os pequenos vilarejos do interior polonês de cem, cento e cinquenta anos atrás. Aqui não há redundância: para o que hoje se pode chamar de vilarejo, muito havia que crescer naquelas urbes que viviam em torno do pletzale, pracinha em tradução literal.

Consta que o negacionismo medieval foi atenuado pelo judeus da Europa, que trouxeram dos antigos gregos conhecimentos e costumes hoje bem conhecidos. Era nas praças que, além do comércio, os pagadores de impostos reais, como também eram chamados os cidadãos poloneses, se reuniam para conversar, fazer negócios e ouvir as histórias dos viajantes, para saber das novidades, em um tempo muito antes das redes sociais eletrônicas.

Duas dessas localidades eram Strikev e Stachev (Strikow e Staszow, nas províncias de Lodz e Kielce). A primeira é terra dos Korpel, da minha avó materna Pesy, enquanto a outra deu berço aos Rajnstajn, de se esposo Abrão, estabelecidos no Bom Retiro paulistano desde 1929, acompanhados da pequena Hugueta. Os cunhados discutiram até o fim da vida sobre qual era a maior cidade, sem nunca concordar entre si.

Hoje Staszow é cinco vezes maior que Strikow, pois conta com 15000 habitantes. Ambas as cidades polonesas têm o seu próprio prefeito!

O costume de conversar na praça não se desfez com a chegada ao Brasil e, no bairro do Bom Retiro, ficou instalado no pletzale da Ribeiro de Lima com Correia de Melo e Rua da Graça. Quanto do que foi construído por esses imigrantes não teve origem no local!

O pletzale no século 20

O tempo permitiu que outras instituições abrigassem os grupos que lá se reuniam e as modernas comunicações também contribuíram para o seu esvaziamento.

Mas a história não termina assim.

Ilustrado pela obra de Artur Lescher e com a confluência do território reformada, renasce hoje e pereniza o pletzale paulistano, quiçá outra vez ponto de encontro na construção de um belo amanhã, tão logo a vacina nos permita aglomerar de novo.

O Sport Club Corinthians Paulista foi inaugurado a duas quadras dali, mas essa é outra história para ler de novo

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Instituto Cultural Israelita Brasileiro, conselheiro da CNTU e Aguaviva, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

4 comentários em “A praça foi, é e sempre será do povo

  1. Graças ao atento e bom amigo Mario Nusbaum foi possível corrigir o erro histórico contido na crônica, já que o berço dos nossos ancestrais do lado de Stachev foi Staszow e não a pequena Stachlew, como originalmente informamos.

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