Polônia Judaica de Ontem e de Hoje

A coleção de judeidades de Samuel Gorberg reúne os episódios semanais de 2ªs Intenções sobre cultura, religião, história e conjuntura. O Encontro de 18 de Abril foi com o engenheiro e professor carioca Israel Bajberg, para falar do mundo dos shtetls (vilarejos) poloneses e seus herdeiros.

Aos que não dominam o idioma idishe, falado pelos judeus da Polônia por centenas de anos, shtet significa cidade e seu diminutivo, vilarejo, é shtetl. Eram muito numerosos outrora, com centenas ou poucos milhares de habitantes, com uma Igreja no Centro e vida comunitária e comercial em torno da praça, o pletzale que os emigrantes trouxeram consigo para o Brasil.

Shtetls da antiga Polônia

Segundo Baljberg, era comum se dizer que os judeus “viviam à sombra das Igrejas, divididos pelo meridiano do guefilt fish, o famoso bolinho de peixe, pois de um lado era receita salgada e do outro doce.

A vida judaica contava com sinagogas e cemitérios, alguns preservados como se museus fossem, pois hoje a população judaica, que já superou 10% dos poloneses, marca não mais de 5 mil pessoas no país. Os locais, em regra, são mantidos pelas prefeituras das hoje cidades e têm na curadoria muitos não judeus. Outros poloneses do presente igualmente se dedicam a estudar as histórias dos shtetls.

Obras de Marc Chagall

A música klesmer de sempre também pode ser ouvida em Cracóvia, antiga capital, tocada por moderna bandas que igualmente não contam com judeus entre seus músicos.

Muitos judeus marcaram história na Polônia: Joseph Heines fois um dos mais ricos do país, sua mansão serviu de museu, mas foi derrubada recentemente; Meir Yecehiel Halevi Halstock foi o santo rabino de Ostrowieck na virada do século 19 para o 20; e Januzs Korczak, médico e oficial graduado do Exército polonês, não abandonou suas crianças quando o invasor nazista as deportou aos campos de extermínio.

Sim, os judeus tinham participação nas forças armadas, não só no que no Brasil se chama de “serviço militar obrigatório”, mas como carreira e no oficialato.

Ostrowiec, século 21

O professor carioca deu especial destaque a Ostrowiecz, cidade que contava com a primeira siderúrgica polaca, hoje adquirida pelos espanhóis. Como as demais pequenas cidades, a entrada tecnologia no entreguerras, em substituição às antigas profissões manuais, mudou definitivamente as características tradicionais dos antigos shtetls.

Israel Blajberg prestou homenagem aos heróis do Levante do Gueto de Varsóvia contando as suas histórias. Dos milhões da habitantes de fé mosaica, apenas 60 mil mais saudáveis não tiveram o destino da morte em câmara de gás. Foram confinados em pequenos e murados bairros de Varsóvia e outras cidades e obrigados ao trabalho escravo.

Varsóvia, século 21

Mas uma juventude não se conformou e enfrentou os nazistas, até que o último resistente tombou na luta militarmente desigual. A epopeia foi perenizada em poema de José Sendacz e é todo ano rememorada na Casa do Povo, em São Paulo.

Muitos judeus saíram da Polônia antes da ocupação alemã, rumo à América e à Palestina. No Brasil, compuseram a metade dos 40 mil imigrantes judeus que vieram da Europa. E seus descentes, como Lerner e Groisman, Sirkis e Timberg, e porque não dizer os Sendacz, têm ajudado no desenvolvimento do Brasil e na formação da cultura brasileira.

Na apresentação há muito mais detalhes e ilustrações sobre como foi essa etapa da vida na Polônia.

Os novos episódios de 2ªs Intenções vão ao ar às segundas-feiras, 19 horas. As imagens da apresentação de Israel Blajberg são creditadas ao autor.

Meu pai, José Aron Sendacz, integrou a delegação oficial brasileira oficial, por ocasião do aniversário da libertação polonesa. Suas memórias da viagem à sua terra natal estão em 1954: Viagem à Polônia.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, conselheiro da Casa do Povo, CNTU e Aguaviva, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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