Governo quer fazer na Administração Pública o mesmo que se faz na privada

O sofisma explicativo usado pelo Secretário de Desburocratização Gleisson Rubin na apresentação da “nova administração” pública – a chamada reforma administrativa: o orçamento familiar não dispõe do instrumento público de emitir dinheiro!

O representante governamental, cujo compromisso público foi declarado de curta duração, apresentou-se eivado de boas e justas intenções: entregar serviços públicos de qualidade para os cidadãos!

Mas muito além não foi. Reclamando de uma folha de pagamentos funcional que não passa da quarta parte da despesa financeira do governo, chegou ao extremo de reclamar da aposentadoria do servidor público, em grave ameaça aos seus pares da iniciativa privada: acusa quem trabalha de “ficar pendurado” no Estado depois de décadas de contribuição previdenciária, que não se extingue com a aposentadoria.

A propensa modernização administrativa tinha por base na antiguidade de certos institutos legais, que pareciam “antigos” aos olhos dos proponentes. No entanto, a solidez do concurso público como forma de ingresso no serviço vem dos tempos de Getúlio Vargas; a proteção da estabilidade ante a pressões por interesses adversos ao público por determinados governantes ou oportunistas infiltrados é reconhecida como necessária no projeto.

A produtividade do Estado é bem comum da Nação. Mas não é a gestão de pessoal que está falha, embora sempre possa ser melhorada. Afinal, quem esteve na linha de frente no combate ao vírus senão os servidores públicos, ao risco da própria vida para salvar a de outros?

O Congresso ainda vai trabalhar, terminativamente, sobre o projeto de emenda constitucional encaminhado pelo Executivo, que atinge exclusivamente os servidores públicos civis. Pelo que lá se discute, a desejada atratividade da carreira pode ficar ainda menor que a original, que grande não é.

As mentes privatistas escolheram mostrar o crescimento do custo de pessoal em um período em que houve recuperação das perdas passadas, omitindo que a dívida pública cresceu 213% no período, mais de cinco vezes que a folha de salários.

As mentes privatistas escolheram mostrar o crescimento do custo de pessoal em um período em que houve recuperação das perdas passadas, omitindo que a dívida pública cresceu 213% no período, mais de cinco vezes que a folha de salários.

Por isso, é desprezível a ilusão de o crescimento do investimento público dever-se ao desmonte do Estado proposto, com a consequente redução dos serviços públicos.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central e do Instituto Cultural Israelita Brasileiro, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

6 comentários em “Governo quer fazer na Administração Pública o mesmo que se faz na privada

  1. Lastimável tudo isso !
    Sou de uma época que poucos queriam entrar nos órgãos públicos, optavam pelas multinacionais cujos benefícios eram bem superiores (plano de carreira , cesta básica ,cursos pagos e viagens , etc. ).
    Os órgãos públicos abrangia mais os negros , mesmo porque os negros não tinham acesso ou condicoes para trabalhar nas multinacionais , uma das exigências era falar o inglês ou outras língua estrangeira .
    Com as crises e o envelhecimento dos donos da área comercial seus filhos não quiseram seguir o mesmo ramo dos familiares partindo para os cursos superiores e escolhendo os concursos públicos (doutores) quando então a máquina começou a inchar com altos salários .
    Lembrando que funcionários antigos de base continuavam na mesma função e sem plano de carreira , trabalho rotineiro , evoluir profissionalmente não era possível , por isso quando funcionário público aposenta não encontra outra função facilmente .
    Enfim , temos que voltar ao tempo para entender o que ocorre no presente .

    Hoje basta passar no servidor público do estado de São Paulo e ver o aspecto e aparência do funcionário público .
    Funcionários que serviram com lealdade décadas e décadas.

    Vamos ver o que tudo isso vai levar .

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