Código Aberto com Miguel Manso
Quem controla a tecnologia controla apenas mercados — ou também condiciona as possibilidades de desenvolvimento e soberania dos países?
O episódio do Código do Poder investiga as raízes históricas dessa dependência, o processo de desindustrialização e desnacionalização de setores estratégicos, o enfraquecimento da engenharia nacional e os desafios brasileiros para recuperar capacidade científica, industrial e tecnológica própria.
Em ambiente dominado pelos juros trilionáros, Miguel Manso conversou com Rey Aragón, Luis Delcides e Luis Mauro Filho, explicando de plano que “recuperamos a capacidade de engenharia e CT&I, mas há muito o que fazer”, explicando que a elevada produção de grãos com dependência de insumos importados remete a retomar a produção local de fertilizantes com foco em segurança alimentar. “É importante ter uma política de Estado, não somente de um governo. Uma concertação nacional para não ficar dependente de nenhum país”, seja em fertilizantes e máquinas agrícolas ou outros insumos e tecnologias produtivos.
A lógica de mercado e sua política rentista geraram desindustrialização e ocupação por mercadorias estrangeiras. “Um país entre as dez maiores economias do mundo e exportador de conhecimento, rico em matéria prima, sofre pressão para se manter dependente”, prosseguiu Manso, exemplificando com São Paulo, que perdeu 25 mil indústrias. Além de deixar de ser submisso, o Brasil precisa reindustrializar-se “com as novas tecnologias, com automação”.




Após expor em diapositivos os contrastes entre a engenharia brasileira e de outros países desenvolvidos, o convidado lembrou que “a velocidade da tecnologia é cada vez mais rápida, cada atraso significa muito para atender ao bem estar do povo brasileiro”.
Miguel propôs romper a lógica do rentismo, que oferece ganho fácil e sem riscos nem trabalho a empresários que poderiam investir em indústria; mesmo o capital de fora fica estagnado no mercado financeiro. É preciso “dDominar todo o processo, em especial na Defesa, para a segurança nacional, desenvolver a capacidade de fazer”.
Inteligência Artificial nos caças russos oferecem alternativas aos pilotos conforme o que ele vê pela frente, IA precisa ser dominada pelo Brasil. superar os gargalos.
Ciência, engenharia, tecnologia e inovação. Engenharia em todas as áreas; antes de competir internacionalmente, atender as necessidades da nossa população.
Automóvel, 10% é minério, 70% é tecnologia, troca um navio de soja por alguns celulares… [é preciso] expandir supercomputadores, tecnologia quântica, mecânica fina, requer planejamento, investimento e formação universitária. Mais engenharia.
Manso concordou com a proposta chinesa de governança global de IA, com educação e ética, observando que a ciência deve ser usa para o bem, o que nem sempre acontece. É preciso democratizar a tecnologia entre todos os países e resguardar, cada um e em especial o Brasil, do avanço do fascismo e da intervenção estrangeira, com defesa própria.
Ele concluiu afirmando que a construção de uma Nação é obra coletiva e contou e conta com engenheiros para aprender e materializar o sonho de Tiradentes, convidando a todos conhecerem os cadernos do plano de governo por um Brasil Produtivo (e não Brasil rentista…), que apontam diretrizes para além da campanha eleitoral, para os anos seguintes de construção do Brasil.
Miguel Manso é engenheiro, diretor de Políticas Públicas da Engenharia pela Democracia (EngD), pesquisador da Fundação Maurício Grabois em desenvolvimento nacional e um dos formuladores do programa econômico de governo do candidato à reeleição Luis Inácio Lula da Silva.
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