
O Eng. Miguel Manso, diretor de Políticas Públicas da Engenharia pela Democracia e pesquisador da Fundação Maurício Grabois em desenvolvimento nacional, demonstra, em dois artigos, a proeminência da elevação dos salários como alavanca para o aumento da complexidade econômica.
O texto completo tem linque logo após a introdução de cada um dos artigos:
Invertendo o paradigma: salários altos como alavanca da complexidade econômica
O artigo do economista Paulo Gala, O Verdadeiro Desafio do Brasil: Construir uma Economia Complexa para Pagar Salários Mais Altos, sintetiza com clareza um “consenso” entre economistas estruturalistas ou neo-estruturalistas do mercado e do pensamento da “economia da complexidade”.
Por que a proposta de Paulo Gala coloca o carro na frente dos bois – não resiste à crítica dos pós-keynesianos – e como uma visão marxista aponta o caminho verdadeiramente inovador é o tema deste artigo.
O diagnóstico é parcial, mas valioso: o Brasil está preso em uma teia de baixa complexidade, exportando commodities e produtos de baixo valor agregado, o que limita estruturalmente o potencial de renda da população.
Sua tese, nem tanto. Resumida de forma crua, é: aumente a sofisticação produtiva (complexidade) e os altos salários virão como resultado natural.
No entanto, é precisamente no sequenciamento lógico e no mecanismo causal proposto que reside uma falha de perspectiva.
Este artigo propõe uma inversão radical e fundamentada histórica e cientificamente: não é a complexidade que gera altos salários; são salários mais altos e uma massa assalariada robusta que criam as condições de demanda, pressão e investimento necessárias para germinar e sustentar uma economia complexa. Colocamos, assim, a luta social pela distribuição de renda e o poder de consumo no centro da estratégia de desenvolvimento.
Complexidade econômica, salários e o nó da dívida no Brasil e no mundo emergente
A relação entre complexidade econômica e níveis salariais não opera em um vácuo teórico. Ela se desenrola em um contexto institucional específico, onde variáveis como endividamento familiar, custo do crédito e renda média atuam como aceleradores ou freios do processo.
O Brasil apresenta um quadro particularmente desafiador: baixíssima complexidade econômica (ocupando posições modestas no Economic Complexity Index), renda média estagnada, mas com famílias altamente endividadas (com cerca de 78% da renda comprometida com dívidas) em um ambiente de juros estruturais elevados. Este trilema (endividamento alto, juros altos, renda baixa) trava qualquer transição simples.
Como escapar dessa armadilha? A análise comparativa com outras grandes economias emergentes – China, Índia e Rússia – que também partiram de baixa complexidade, mas seguiram caminhos distintos, é fundamental para iluminar possíveis rotas para o Brasil.

Do mesmo autor, Uma Análise Marxista do Capitalismo Financeirizado.

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