Na sequência do seminário de estudos avançados da Escola João Amazonas, da Fundação Maurício Grabois, os professores discorreram sobre ser o socialismo alternativa viável, bem como necessário no contexto da crise sistêmica do capitalismo, sob coordenação de Luana Bonone.
O professor-doutor da UFRGS, Diego Pautasso, entende que o socialismo precisa ser pautado na história e na geografia, esta a sua docência. É preciso entender que a sociedade socialista tem suas contradições a serem superadas, não cabe uma visão romântica das relações ideais de produção, nem das relações do Homem com a Natureza.
São mais de trinta países que adotaram a orientação socialista desde 1917, um diversificado cabedal de experiências e aprendizados, tendo em comum o fortalecimento do Estado nacional. A China de hoje, por exemplo, enfrenta uma guerra comercial e tecnológica imposta pelos EUA e mostra descentralização política, meritocracia na promoção de quadros do Partido e do governo e uma governança digital.

Ao historiador Raul Carrion, ex-deputado gaúcho, incumbiu apresentar a experiência vietnamita, país milenar que intercalou séculos de dominação estrangeira, originalmente chinesa, com períodos de desenvolvimento feudal.
No século 20, alcançou sua total independência em 1975, após derrotar três imperialismos. A escolha dos seguidore de Ho Chi Minh foi pela economia de mercado com orientação socialista. Em 2014, um terço da propriedade produtiva era estatal, 30% familiar, 10% cooperativa e o restante privada, nacional e estrangeira. Hoje o país já ultrapassou o Brasil em exportação e ocupa mais de 98,5% da mão-de-obra vietnamita
A também professora-doutora de Relações Internacionais da UFRGS, Analucia Danilevski lembrou do relativo equilíbrio de forças dos tempos da URSS, em que o campo socialista permitiu o florescimento de revoluções nacionais que trouxeram a independência a países da África e da Ásia. O seu fim abriu espaço para a multilateralidade de hoje.
Os EUA, e mesmo nações imperialistas da Europa, preservam seu espaço com o uso da força, militar e ideológica, mas enfrentam uma crise sistêmica desde 2008, mostrando o fracasso do neoliberalismo e a necessidade de um novo modelo de Estado “regulador no interesse nacional de desenvolvimento, com um projeto”.
Uma das ferramentas para restringir o desenvolvimento dos países mais atrasados é o uso de discurso ambiental para preservar matérias primas de interesse do capital. Mas a moderna tecnologia é hábil para desenvolver as forças produtivas sem prejuízo ao meio ambiente.
Ela concluiu explicando que não há socialismo sem revolução social, calçado em experiência reais, não um modelo ideal. E que a América Latina também precisa encontrar o seu caminho ao futuro.
O seminário completo: 1 – Características do capitalismo contemporâneo e o aprofundamento de suas contradições; 2 – Declínio dos EUA e ascenção da China; 3- Os êxitos da China e do Vietnã; e 4 – O papel fundamental do Partido Comunista.


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