Em 2025, o centenário PCdoB realiza o seu 16º Congresso, voltado a determinar as tarefas estratégicas e táticas para o presente período, de acirrada luta de classes no Brasil e no mundo.
A primeira parte do documento de 48 páginas em discussão pelos comunistas envolve a situação internacional, quer seja a “análise da crise sistêmica do capitalismo, da transição na ordem mundial e da nova luta pelo socialismo”.

O dirigente Davidson Magalhães, ex-deputado federal pela Bahia, discorreu sobre o tema. Salta aos olhos o baixo crescimento econômico do capitalismo contemporâneo.
O crescimento médio do PIB no mundo orbita os 3%, ficando limitado a 2% nos países centrais e 4% nos em desenvolvimento, mais ainda na Ásia, com exceção do estagnado Japão. A crescente concentração de renda e riqueza deixa quase metade do produto do trabalho nas mãos do 1% mais rico, enquanto à metade mais pobre da população mundila cabe somente 1% dos ganhos e propriedades.
Se a União Soviética favoreceu, a seu tempo, o fortalecimento dos sindicatos e a elaboração de políticas nacional-desenvolvimentistas, como foi o caso do Brasil, hoje a precarização das condições de trabalho empurra os produtores a plataformas digitais que não pagam direitos e ficam com boa parte do esforço individual do produtor. A combinação da tecnologia com o neoliberalismo intensificou, pois, a extração de mais-valia.
A financeirização tornou-se hegemônica nas relações de produção, apoiada pelo neocolonialismo. Não é mais a indústria o principal fator de acumulação capitalista, mas o capital fictício que a subordinou. Este é hoje seis vezes maior que o PIB global.

“Ampliam as contradições e desigualdades”, expressou Davidson, em razão da ampliação da exploração do trabalho em cenário de baixo desenvolvimento e alta apropriação do rentismo.
Os trabalhadores já não dispõem mais de um local concentrado de trabalho e recebem informação individualizada, providas pelas big techs, megaempresas que operam como braço ideológico do moderno capitalismo. A classe operária encontra-se fracionada e ainda busca novo método de aglutinação em torno dos seus interesses.

As duas guerras mundiais e outros conflitos interimperialistas moldaram um mundo unipolar, com o fim da URSS em 1.991. Mas a China tem contribuído para mudar este cenário no século 21.
O país asiático tirou 700 milhões da pobreza e se tornou a maior manufatura do mundo, configurando-se como uma alternativa ao modelo neoliberal; ao lado do Vietnã, também orientado ao socialismo, e da Rússia, a China mostra na prática as possibilidades de um novo modelo econômico.
Mas os EUA resistem, procuram trazer a indústria de volta para casa, sem perder o controle do dólar como moeda internacional. As contradições da maior economia do mundo capitalista arriscam o rompimento da democracia burguesa por lá e em outros países do mundo, com o ressurgimento do fascismo em apoio ao domínio do rentismo sobre os produtores.
O Brasil da austeridade fiscal e do juro elevadíssimo não está imune a esse risco, concluiu o apresentador.
Sobre o tema, recomendamos a leitura de O desenvolvimento capitalista em cinco estações e sugerimos a leitura do nosso livro O dinheiro, sua história e a acumulção financeira.
As tarefas nacionais foram apresentadas por Rovilson Brito e o revigoramento partidário ficou à cargo de Nádia Campeão.


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