Sonhando com a libertação…

Todos que completamos o ensino fundamental certamente já ouvimos falar do famoso número Pi (3,1416 e etc.), útil para calcular o comprimento de uma circunferência. Fi pode não ser tão famoso, mas é igualmente útil.

1,61803 e etc. equivale aproximadamente à proporção do corpo humano da cintura para baixo em relação ao tronco e cabeça, e serve para que uma pirâmide “feche” no topo, a partir de um quadrado na base.

Os antigos egípcios sabiam disso mas, para fazer a obra faraônica não dispunham de robôs, guindastes ou outros apetrechos além de barcos e roletes que lhe facilitassem o trabalho, nem boa vontade em compartir os tesouros. O trabalho de mineração, transporte e construção era realizado por muitos escravos, em geral vindos de outros cantos do médio oriente e do norte do continente africano.

Em troca, os obreiros ganhavam tão-somente o alimento e repouso mínimo necessário para empreender a extenuante jornada seguinte. Não eram exatamente gente satisfeita e conformada, mas compelida a viver assim pelos senhores.

Conta a lenda que uma moça judia, uma das nacionalidades escravizada, abandou seu filho em um cesto ao rio para que ele tivesse sorte diferente na vida. Moisés teria sido acolhido por uma princesa e criado no Palácio para, adulto, conduzir um levante de escravos à época das dez pragas que se abateram sobre o território e sair em direção à “terra prometida”, localizada após o Mar Vermelho.

Os dependentes dessa empreitada construíram uma sociedade já com algumas características feudais, não sem enfrentar adiante a ocupação romana, carente também de mão-de-obra escrava, usada para contrução do seu império.

Essa história já foi cantada por Louis Armstrong e recebeu o título inspirado no Hino à Negritude brasileiro. Diz respeito a todas as espécies sensientes e conscientes e talvez tenha até inspirado Getúlio Vargas em sua frase famosa:

O povo […] não será escravo de ninguém.

Boa Páscoa, git Pessach, a paz seja convosco, scholem aleichem.

Já são quatro as mensagens que registramos: O Pessach e os metalúrgicos de São Bernardo, A passagem para a liberdade e dois votos em tempos de pandemia, desejando saúde: 2020 e 2021.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Sindicato dos Escritores no Estado de São Paulo e da Engenharia pela Democracia, conselheiro da Casa do Povo, Sinal, CNTU e Aguaviva, membro do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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