O Pessach e os metalúrgicos de São Bernardo

O isolamento social, agora atenuado, nos levou a contar histórias da Passagem à Liberdade de milênios atrás por meio de mensagem nesta página. Aqui estão as de 2020 e a de 2021.

662 mil de nossos patrícios não sobreviveram ao vírus, a maior parte dessas vidas prematuramente encerradas poderia ter sido salva, e comemoraríamos com mais alegria e gente ao nosso redor estes feriados do fim-de-semana.

Lhes trago uma memória pessoal, aqui que estou para conta-la.

Transcorria o ano de 1979 e estava eu, no noite “diferente de todas as outras noites”, com meus pais, irmãos e muitos familiares, de mangas de camisa na casa de um dos muitos primos que tenho, exatamente para celebrar o Pessach, a libertação dos escravos do Egito.

Vencida a parte cerimonial, liga-me um amigo perguntando onde eu estava. Expliquei e perguntei o porquê do interesse.

“Em instantes começa a assembleia dos metalúrgicos, que vai decretar greve“. A decisão iria desembocar no Estádio da Vila Euclides e cumprir papel na derrocada da ditadura que se abatia sobre o nosso país.

Em seguida, negociei com meu pai o uso do carro, fui em casa trocar de roupa e dali rumamos para São Bernardo. Subimos as escadas da velha sede dos metalúrgicos, sem “informe das fábricas” para prestar aos companheiros e posicionamo-nos discretamente na última fila.

Foi a primeira vez que vi Lula em pessoa.

Eventos como o daquele Pessach hoje em dia podem ser facilmente acompanhados por meio digital. Mas no século passado não era assim. Para ouvir de viva voz um presidente, então dos metalúrgicos de São Bernardo que afrontavam a ditadura, era preciso deslocar-se ao teatro das operações.

Para mim, na juventude dos meus 18 anos, foi uma noite realmente diferente de todas as outras.

Vai passar, git Pessach, boa Páscoa.

Adiante estive ainda uma vez nos Metalúrgicos em 2010, já na sede nova, desta feita em missão sindical, para entregar à então pré-candidata petista a pauta dos servidores públicos da União.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, conselheiro da Casa do Povo, EngD, CNTU e Aguaviva, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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