Sobre a intermediação financeira

Em nosso livro O dinheiro, sua história e a acumulação financeira já havíamos apontado o rentismo, quer seja, a acumulação do dinheiro a partir de si mesmo e não da produção de novas mercadorias distintas do equivalente universal, como a fase terminal do desenvolvimento capitalista.

O que Fernando Nogueira da Costa traz no artigo abaixo é uma mostra da utilidade da intermediação financeira fora da especulação. Nas suas palavras, “ao mobilizar a poupança aplicada em investimentos financeiros (fontes de funding) em direção a crédito para empreendimentos produtivos, o sistema financeiro é fundamental para o crescimento econômico”.

Fenômenos como o financiamento popular de bens duráveis e a proteção contra riscos cambiais compõem, na opinião do professor, o lado positivo da atividade financeira, sujeita também à inflação de bolhas especulativas. Adepto da crítica justa, ele lembra que “a pobreza (carência de fluxo de renda) é superável, mas a desigualdade em termos de acumulação de estoque de riqueza não é”.

Nos parece fato a acumulação financeira ser o motor do capitalismo. E os detentores do poder não se pejam a utilizar os mecanismos da intermediação, mesmo aqueles que provejam melhoras sociais, para o fim objetivo maior do modo de produção: a concentração de renda e riqueza, hoje à escala global.

Acompanhemos o estudo no blogue Cidadania e Cultura.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Sindicato dos Escritores no Estado de São Paulo e da Engenharia pela Democracia, conselheiro da Casa do Povo, Sinal, CNTU e Aguaviva, membro do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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