O imperialismo sobre a América Latina

As noites de terça-feira na Fundação Maurício Grabois são reservadas às Lives do João. Em 13.8.2024 o tema foi Imperialismo na América Latina: exploração de riquezas e formação de contradições internas.

O professor de história Mateus Fiorentini recebeu os jornalistas Wevergton Brito, editor do I21 e vice-presidente do Cebrapaz, e Vanessa Martina Silva, do Diálogos do Sul e Ópera Mundi.

O apresentador relembrou a presença europeia na América Latina até o século 19, nas modalidades de imperialismo e neocolonialismos, marcadas por processos de dependência econômica, ocupação territorial ou presença militar. Embora o Canal do Panamá seja mais antigo, foi no início do século 20 que os EUA substituíram a Grã-Bretanha, tornando Cuba um protetorado do país. Na segunda metade do século passado muitos países promoveram uma segunda independência, lastreada no ideário nacional-desenvolvimentista. Embora o fim do bloco socialista tenha sido proclamado como “o fim da história”, neste século 21 retorna o debate antiimperialista no mundo.

Wevergton definiu o imperialismo, citando Lenin, como a fase superior do capitalismo, quando a monopolização da produção e a fusão dos capitais bancário e industrial vem acompanhada da movimentação dos meios de produção ou seus equivalentes monetários estabelece o domínio global dos centros imperialistas.

O caminho para um mundo unipolar, após a queda da URSS, foi permeado de histórias de horror, onde o nazismo foi o pior caso. Ele engendrou a contrapartida das alianças nacionais, não necessariamente de orientação socialista, em resistência à ocupação: assim foi na China e, em 1998, na eleição venezuelana de Hugo Chavez.

O fato novo nos métodos de ocupação é a luta ideológica, potencializada pelos modernos meios de comunicação de massas. Em muitos países, no Brasil entre eles, parte da elite compôs seus interesses particulares com o imperialismo, cedendo ao que os antigos romanos faziam, mas com poderio científico-tecnológico bastante evoluído.

No pleito em curso na Venezuela, 8 dos 10 partidos firmaram acordo de respeitar os resultados da vontade popular, mas os outros dois optaram pelo enfrentamento. Corina Machado, por exempo, vendeu aos estadunidenses uma empresa venezuelana por 10% do valor e a partir daí teve amplo financiamento para seu projeto de poder. Contou até com a rede do notório Elon Musk para tanto.

Vanessa lembrou que é da amizade entre os povos que nasce a cooperação econômica mutuamente vantajosa, como o caso da via aquática para ligar o Norte do Brasil ao litoral venezuelano, facilitano as exportações para o Caribe.

A mídia pró-imperialista, no entanto, se esmera em fomentar a inimizade entre as populações, procurando, no caso em tela, colocar os brasileiros em dissenso com a eleição de Maduro no país vizinho. Muitos setores dito progressistas, como Boric no Chile e mesmo Mujica no Uruguai, embarcaram na narrativa. Mesmo o Brasil segue mudo ante as chacinas que sucederam ao pleito, lembrando que não se pediram atas eleitorais nem nas eleições brasileiras nem nas dos EUA ou qualquer outro país. Até o Partido Comunista a Venezuela, PCV, resolveu apoiar um candidato de direita ao líder bolivariano.

O eleitorado de Maduro não era ostensivo, com medo de possíveis retaliações. Mesmo em um país democrático, onde os habitantes das comunas escolhem três projetos prioritários, de uma lista de trinta que eles próprios elaboraram, para ir a voto nacional e ganhar os recursos federais e estaduais para a sua realização.

Wevergton lembrou da formação de Maduro em Cuba, mais sólida do ponto de vista da ciência social que a de Chavez, primeiro líder da revolução bolivariana na Venezuela. E que o PIB do país cresceu 7% no primeiro semestre de 2024, com projeções internacionais de liderança regional nesse quesito.

Mateus concluiu observando que os venezuelanos aproveitaram bem lições dos processos chilenos e cubanos e têm hoje um partido no Poder com 7 mihões de filiados, para uma população de trinta.

Ambos os convidados acompanharam de perto as eleições na Venezuela.

Episódios da Live do João já comentados: O dólar será substituído por outra moeda no comércio e nas finanças internacionais?; O trabalhador e a crise estrutural do capitalismo; Diversificação energética e desenvolvimento econômico e social; Dualidade e projetamento: o pensamento de Ignácio Rangel; e Contribuição de Friedrich Engels à ciência e à Humanidade.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Sindicato dos Escritores no Estado de São Paulo e da Engenharia pela Democracia, conselheiro da Casa do Povo, Sinal, CNTU e Aguaviva, membro do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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