Revigoramento da indústria em São Paulo

Detalhando as considerações iniciais sobre a indústria paulista apresentadas há alguns dias, cabe estimar qual o impacto econômico que a expansão do parque produziria no Estado de São Paulo, com base em mais informações da Fundação Seade.

A população do Estado foi registrada no censo de 2022 como composta de 44 milhões de pessoas, distribuídas nas quinze regiões administrativas, na capital e nos demais municípios da região metropolitana de São Paulo conforme o quadro seguinte:

Consideramos em “idade de trabalhar” as pessoas com mais de 24 anos – após a desejada conclusão do ensino superior – até a idade mínima vigente para aposentadoria. Pelos critérios do IBGE, a força de trabalho paulista perpassa os 26 milhões de pessoas, dos quais 24 milhões encontravam-se ocupados em 2021.

A composição do Produto Interno Bruto em cada região é mostrada a seguir.

O valor adicionado pela indústria varia de região para região e decai, modo geral, com o distanciamento da Capital e do litoral paulistas, efeito oposto ao da agropecuária. Como de se esperar, os serviços são utilizados em todo o território.

A discussão sobre o comando constitucional ao “desenvolvimento equilibrado” traz duas interpretações possível: distribuir equilibramente as forças produtivas por igual entre as regiões ou reforçar o trabalho nas regiões mais atrasadas, para que todas alcancem as mesmas condições de vida, opção que aqui se adota.

Que efeito teria a elevação da indústria a 25% do PIB nas regiões em que ela é menor? Se mantidos fixos os demais setores e proporcionais os impostos, o PIB seria acrescido em cerca de 13%, com o incremento da transformação industrial em pouco mais de 50%.

E como alocar 13% a mais de trabalho? Cerca de 8% adviria da plena ocupação da força de trabalho no Estado e a diferença pode ser obtida com avanço tecnológico e consequentes ganhos de produtividade, não só na indústria, mas no conjunto da atividade econômica do Estado.

Por fim, a combinação dos quadros informativos permite deduzir que o trabalhador paulista, cuja renda média anual é de R$ 42,8 mil, recebe não mais que 40% do valor que agrega à economia paulista.

Leitura sugerida sobre o Patrono da Indústria: Roberto Simonsen: a indústria e o desenvolvimento do Brasil.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Sindicato dos Escritores no Estado de São Paulo e da Engenharia pela Democracia, conselheiro da Casa do Povo, Sinal, CNTU e Aguaviva, membro do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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