
Quando o desemprego fica aquém da taxa considerada “natural” em uma economia capitalista como a do Brasil, convém se debruçar sobre a obrigação de fomentar o “pleno emprego” legislada ao Banco Central e desejável para o conjunto dos poderes públicos da República, para não dizer dos trabalhadores em si.
A taxa doméstica “que não inflaciona” (NAIRU – Non Accelerating Inflation Rate of Unemployment) estimada para o Brasil é de 8,5%, e no trimestre encerrado em Maio de 2023 marcou 8,3% da população economicamente ativa.
Bráulio Borges, no blogue do IBRE-FGV, já apontava a tendência de convergência do mercado de trabalho à NAIRU, há um ano. Já José Luiz Oreiro, um pouco depois, contestava o indicador como sendo de pleno emprego, dado o desemprego disfarçado que se nota nas ruas do país.
Não obstante ser teórica e praticamente possível todo o coletivo humano em idade para trabalhar contribuir com a produção social “de acordo com a sua possibilidade” já na primeira fase, socialista, das relações de produção comunistas, tomemos a NAIRU, como alertou um ilustre colaborador das Discussões Econômicas do facebook, a título de meta implícita de pleno emprego.
Ainda que o Conselho Monetário Nacional não tenha atribuído ao Banco Central qualquer objetivo quantitativo de ocupação dos fatores da economia, ou ao menos de mão-de-obra, a convergência prevista da NAIRU ao desemprego “natural” da economia capitalista brasileira indica que os juros de 13,75% talvez não fossem necessários para a redução do desemprego observada nestes primeiros meses de 2023.
Ou será que os parasitas dos cofres públicos vão alegar que foram os juros elevados que produziram esse “pleno emprego” que deixa milhões de fora do mercado de trabalho?
Uma nova política monetária se faz necessária. Se é para fixar uma meta de pleno emprego, que seja uma NAIRU de 8% para menos, sem prejuízo, como diz a lei, de garantir uma inflação de 3%.

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