Dependência e desenvolvimento econômico

A nova edição da revista Princípio traz um dossiê de debates e horizonte programático sobre as perspectivas de desenvolvimento econômico sob dependência, organizado pelo Prof. Dr. Elias Jabbour.

“O tema do desenvolvimento dependente” nos países da periferia do capitalismo “revelou-se um objeto complexo, com ramificações e interfaces em diferentes campos do saber”. Assim, teoria e busca de soluções práticas compõem o volume.

Como destaca a mensagem editorial:

O sucesso da dinâmica econômica soviética em meio à crise de 1929 e a derrota imposta por essa dinâmica à maior máquina de guerra, até então, da história chamou atenção para o papel da planificação econômica e da regulação estatal da economia como forma de contornar os efeitos mais nocivos do capitalismo.

A […] afirmação de novos rumos tanto para o Brasil quanto para a América Latina são fatos alvissareiros, que recolocam na agenda do debate público, notadamente no campo marxista, a questão do desenvolvimento econômico em conexão com os problemas da dependência e do subdesenvolvimento.

A diversidade de resgates do pensamento marxista e nacional-desenvolvimentista a respeito e a prospecção de caminhos para os desafios da atualidade estão no índice a seguir:

À guisa de “aperitivo”, assim os doutores Nilson Araújo e Mariana Moura resumem a atualidade da obra de Marini e o resgate típico do seu pensamento:

Rui Marini

Este artigo tem como objetivo resgatar criticamente e demonstrar a atualidade do pensamento de Ruy Mauro Marini, um dos principais construtores da teoria marxista da dependência (TMD). Escolheu-se Marini porque sua elaboração é a mais densa e completa da TMD. O estudo se concentrará no principal livro dele, Dialética da dependência, porque é onde se condensa melhor sua contribuição teórica. O texto apresenta seu pensamento, analisa-o e mostra sua atualidade. Começa-se por sintetizar a concepção de Marini sobre os mecanismos de transferência de valor dos países dependentes para os países industriais, além de demonstrar a atualidade dessa concepção. Após se expor sua constatação de que o corolário incontornável da transferência de valor é a superexploração da força de trabalho, fornecem-se dados que comprovam sua atualidade. Demonstra-se então que, em decorrência da transferência de valor e da superexploração da força de trabalho, os países dependentes realizam um reduzido nível de acumulação de capital. Outra decorrência da superexploração é o descolamento entre a produção e as necessidades das massas, engendrando a “necessidade” de exportar. O Estado de uma economia do porte da brasileira adotaria, para garantir mercados para esse “excedente”, uma política agressiva que, ao lado de ouras contradições, engendraria o subimperialismo. Apresentam-se neste texto reservas críticas dos autores em relação a essa tese. Finalmente, aborda-se a conclusão de Marini de que a superação da dependência só se daria nos marcos do socialismo. Posteriormente, ele passou a admitir a necessidade do uma “etapa intermediária” que teria as tarefas nacional, democrática e de justiça social.

A Revista Princípios circula há 41 anos e é editada pela Anita Garibaldi.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, conselheiro da Casa do Povo, EngD, CNTU e Aguaviva, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

Um comentário em “Dependência e desenvolvimento econômico

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: