A influência judaica na cultura nordestina

A coleção de judeidades de Samuel Gorberg reúne os episódios semanais de 2ªs Intenções sobre cultura, religião, história e conjuntura. O episódio de 5.12.2022 foi reservado à influência judaica na cultura nordestina.

O convidado da noite, Santanna, o cantador, é cearense de Juazeiro do Norte e grande astro dos ritmos tradicionais nordestinos. Há algumas décadas, o artista despertou o interesse pelas origens semitas da sua família e passou a identificar diversos hábitos sertanejos que guardam semelhança com os costumes judaicos na cultura nordestina.

Por exemplo, o típico chapéu de couro traz a estrela de seis pontas e, nas laterais, os cabelos, semelhantes aos peiotes que a ortodoxia judaica recomenda aos homens nunca cortar. É um solidéu, uma kipá disfarçada, explica Santanna.

Assim como a música judaica inspirou o sapateado e o jazz nos EUA, os marranos que emigraram para o Nordeste, muitos atraídos pela pujança da economia açucareira local, tiveram influência nos aboios, ritmo típico do tocar da boiada na região.

Mas o músico vai além: lembra o xote de Kanaviá, Quando é Quinta Feira (eu vou pro forró, prá ver o meu amor; dançar a noite inteira até o pé dar nó…). Quinta, não Sexta, quando ao anoitecer inicia o dia de descanso na tradição mosaica.

O cantador também ilustra a sua narrativa com a culinária regional. Os animais abatidos eram dessangrados até a última gota, o sangue enterrado – a influência portuguesa deu adiante origem à cabidela com o ingrediente. Assim se fazia a carne de jabá, corrutela de shabat, o sábado sagrado. A cebola que acompanha dá sempre um toque judaico adicional. Até a tapioca é tida como semelhante ao pão ázimo não fermantado no deserto egípcio, na antiga fuga dos escravos, liderada por Moisés.

Santanna traz muito mais, dos nomes de plantas próprios do batismo forçado pela Inquisação medieval a hábitos litúrgicos de luto e consagração passados “secretamente” de geração em geração.

Mas não sem terminar com uma ilação até divertida. Jacó, o progenitor dos titulares das doze tribos de Israel, tinha quatro esposas: Bila, Raquel, Zilpa e Lia, cujas iniciais, BRZL, correspondem às consoantes do termo hebraico “berzel”, ferro em português. O pau brasil era também conhecido como pau ferro, logo…

Os novos episódios de 2ªs Intenções vão ao ar às segundas-feiras, 19 horas. Aqui, veja como foi sobre a Polônia judaica e a colônia de férias Kinderland.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, conselheiro da Casa do Povo, EngD, CNTU e Aguaviva, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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