O que quer o Brasil que trabalha?

“Nossa força está na unidade e luta por um Brasil mais democrático, soberano e justo”

Adilson Araújo na Conclat (CTB)

No dia 7 de Abril reuniram-se os trabalhadores brasileiros em sua Conferência Nacional – Conclat 2022. À abertura dos pronunciamentos, Adilson Araújo, presidente da Central dos Trabalhadores e das Trabalhadoras do Brasil, proferiu o sintético libelo pelo reconhecimento dos valores do trabalho que funda a República brasileira:

Estamos diante de uma encruzilhada histórica. O ano de 2022 será decisivo para o povo brasileiro definir se continua no rumo da barbárie neofascista imposta pelo governo Bolsonaro ou se elege um outro caminho, o da reconstrução da nação, crescimento do PIB e do emprego.

A Conclat sinaliza o caminho para o resgate de um novo projeto nacional de desenvolvimento fundado na valorização do trabalho, na democracia e na soberania, bem como na defesa da saúde e da vida. Não podemos permitir a continuidade de um genocida no poder, responsável por uma política sanitária criminosa que já resultou em mais de 660 mil mortes por covid-19 no Brasil.

O País segue desgovernado, num cenário trágico de desindustrialização, desnacionalização e desmonte do Estado Nacional.

Temos de barrar a política de liquidação do patrimônio público, impedir a privatização dos Correios, da Eletrobras e Eletronorte, da Petrobras, do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal, bem como o sucateamento da Marinha Mercante e nossos portos. Essa nefasta política entreguista da dupla Bolsonaro/Guedes faz do Brasil uma neocolônia dos EUA.

Urge revogar a EC 95, que congelou os investimentos públicos e implica no subfinanciamento das políticas sociais e provoca o esvaziamento da presença do Estado em setores estratégicos da vida nacional (Educação, Saúde – SUS -, Ciência e Tecnologia, seguridade social, logística e infraestrutura). A atual política fiscal impede a recuperação da economia e conspira contra o desenvolvimento nacional.

Devemos lutar para garantir transparência, ética e eficiência na alocação dos recursos públicos. Isto pressupõe o fim do orçamento secreto, mais um canal aberto para a corrupção e financiamento ilícito de campanhas eleitorais.

Arrocho salarial e desemprego

O quadro econômico é lastimável. A inflação ultrapassa os dois dígitos e incide com mais força sobre alimentos, energia e combustível. Sangra o bolso do povo. Reduz o valor real dos salários. Para agravar a situação, o Banco Central elevou a taxa de juros para 11,75%, criando com isto mais um sério obstáculo à recuperação econômica e ampliando escandalosamente os lucros dos bancos e rentistas.

Segundo dados do IBGE, desempregados e desalentados somam 18,6 milhões de pessoas. Já a população subutilizada chega a 30,7 milhões. A fome se alastra. Temos 20 milhões de pessoas com fome e 116 milhões em situação de insegurança alimentar.

A classe trabalhadora é duramente castigada pelo desemprego, perda de direitos, carestia e arrocho dos salários. O governo tem sede em liquidar o Direito do Trabalho e a CLT.

A renda média do trabalho caiu 11,4% no ano passado; e (infelizmente) a maioria dos acordos e convenções coletivas foi fechada com reajustes abaixo da inflação.

A continuidade do Clã Bolsonaro não significaria apenas a preservação da agenda reacionária inspirada no neoliberalismo. Seria um trágico aval popular para o avanço da barbárie neofascista. Derrotar o líder da extrema direita é vital para o movimento sindical e as forças democráticas e progressistas.

A realização da Conclat representa um momento de afirmação da unidade da nossa classe trabalhadora.

Com foco na luta por Emprego, Direitos, Democracia e Vida, a Conclat deve aprovar uma pauta unificada do sindicalismo nacional levantando as principais bandeiras e demandas dos trabalhadores e trabalhadoras para apresentar aos candidatos e candidatas no pleito convocado para outubro.

Essa Conclat deve reiterar nosso compromisso com a construção de uma ampla frente social e política para derrotar a extrema direita, resgatar um novo projeto de desenvolvimento nacional, promover mudança substancial na política macroeconômica (já não é mais possível tolerar o tripé composto por juros altos, câmbio flutuante e cortes nos investimentos públicos para realizar o tal superávit primário).

É nosso dever lutar unitariamente para revogar as reformas trabalhista e da Previdência, assim como a EC 95; combater o desemprego e a terceirização; arquivar a malfadada PEC 32; ampliar os investimentos públicos e universalizar o acesso aos serviços públicos. O SUS é nosso! O MEC é nosso!

Nosso objetivo no pleito exige grande atenção com a corrida presidencial. Mas também é fundamental a eleição de governadores e parlamentares comprometidos com as causas trabalhistas. Sem alterar a composição do Congresso Nacional será muito difícil, senão impossível, resgatar direitos ou mesmo impedir novos retrocessos.

 A unidade é nossa força e nosso caminho para elevar a consciência e o protagonismo da classe trabalhadora na grande política nacional. Nunca será demais valorizá-la e fortalecê-la.

“É preciso atrair violentamente a atenção para o presente do modo como ele é, se se quer transformá-lo. Pessimismo da inteligência, opimismo da vontade“, conforme assinalou o filósofo italiano Antonio Gramsci.

Os trabalhadores aprovaram sua pauta nacional na Conclat 2022.

A transcrição do discurso de Adilson Araújo foi inicialmente publicada no portal da CTB.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Instituto Cultural Israelita Brasileiro, conselheiro da CNTU e Aguaviva, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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