BC prevê juros a 12,25% este ano

Foto: Fabio R. Pozzebom – Agência Brasil

Hora do Povo

Se a inflação se prevê em 5,5% para 2022 e o juro médio, digamos, fique em 11% (9,35% após imposto exclusivo na fonte), nesse cenário o juro real não será menor que 3,65%.

Sobre uma base superior a R$ 5,6 trilhões, a transferência de recursos públicos seria de R$ 204 bilhões acima da “reposição inflacionária” de R$ 308 bilhões. Mais de meio trilhão de reais da riqueza nacional destinada a remunerar dinheiro, não trabalho.

Segundo o Boletim Focus do Banco Central, divulgado nesta segunda-feira (14), na mediana das projeções, o “mercado” financeiro apontou um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2022 de 0,30% – ou seja, metade dos consultados acreditam que 2022 naufragará na recessão. A âncora que nos arrastará para tal tragédia anunciada são os juros, que segundo os economistas das instituições financeiras consultadas pelo BC, a taxa básica de juros (Selic) deve chegar a 12,25% a.a no final de 2022.

Pela quinta semana consecutiva, a projeção para a inflação subiu e alcançou 5,5%, ante 5,44% na semana passada.

De março de 2021 a janeiro de 2022, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC já elevou a Selic por oito vezes, a pretexto de combater uma  inflação que é puxada, principalmente, pelos sucessivos aumentos dos preços dos combustíveis, pelo tarifaço da bandeira da conta de luz, assim como, da desvalorização do real frente às demais moedas estrangeiras. Em doze meses (até  janeiro de 2022), os preços administrados pelo governo acumulam alta bem acima da inflação: Etanol, 54,95%; Óleo Diesel, 45,72%; Gasolina, 42,71%; Gás de botijão, 31,78% e Energia elétrica residencial, 27,02%.

Quando o Copom decidiu aumentar a taxa Selic, que estava 2,75% a.a em 17 de março 2021, a inflação oficial do país acumulava alta de 5,2% em 12 meses (até fevereiro 2021). De lá para cá, a inflação – que é mediada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do IBGE – ultrapassou a casa dos dois dígitos, alta de 10,38% em 12 meses (até janeiro de 2022), e as expectativas é que ela continue crescendo nos próximos meses. Já a Selic se encontra em 10,75% ao ano.

Diante dos sucessivos aumentos da Selic, o gasto do governo com juros da dívida pública aumentou R$ 136 bilhões em 2021. Segundo o Banco Central (BC), a transferência de recursos públicos para pagamento de juros a bancos passou de R$ 312,4 bilhões, em 2020, para R$ 448,3 bilhões no último ano. (+268 palavras, Hora do Povo)

Leia também Maior taxa de juro real do mundo; e A dívida pública como um dos melhores negócios privados.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, diretor do Instituto Cultural Israelita Brasileiro, conselheiro da CNTU e Aguaviva, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

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