Desindustrialização e dolarização no Brasil

O professor titular do Instituto de Economia da Unicamp, Fernando Nogueira da Costa, tratou em seu blogue Cidadania&Cultura, que assinamos, sobre a nova regulamentação do mercado de câmbio no Brasil e a participação brasileira na feira chinesa de importação.

Os temas ganham conexão por serem, ambos, relacionados à posição do Brasil na cadeia global de produção e distribuição.

Como informa o professor, os objetivos do novo marco cambial são a dolarização de exportadores e importadores no Brasil e o aumento do uso do real no exterior. O projeto, se sancionado pelo Presidente da República, amplia “as possibilidades para a abertura de conta em dólar e outras moedas estrangeiras no Brasil. Também possibilita bancos e instituições financeiras do país invistam no exterior recursos captados no país ou fora, além de facilitar o uso da moeda brasileira em transações internacionais.”

Segundo o relator no Senado, Carlos Viana (PSD-MG), não haveria o risco, apontado por Nogueira da Costa, de o Brasil seguir, com atraso, o retrocesso argentino em matéria de soberania da moeda nacional, pois pois “são oferecidos instrumentos ao BC para o devido controle”.

Segundo o Valor, “Mel, chá, café e açaí estiveram entre os produtos brasileiros em destaque na Exposição Internacional de Importação da China (CIIE, na sigla em inglês)”. Das 20 empresas sediadas no Brasil que se fizeram representar, somente duas – Vale e Alpargatas – não pertenciam ao ramo de alimentos e bebidas.

Conforme Fernando, “ficaram evidentes os sinais da desindustrialização nacional, expondo as dificuldades em fomentar parcerias estratégicas com o país asiático e exportar produtos de alto valor agregado”. “O Brasil “se vender” como um exportador de mel e açaí é um “sintoma” da desindustrialização do país iniciada na década de 1990. Tal processo tem várias dimensões, dentre elas, a queda da participação das indústrias de transformação no Produto Interno Bruto (PIB) nacional”, complementou.

Os planos do governo chinês, que pretende se alçar à país socialista moderno e plenamente desenvolvido em 2049, ano do centenário da República Popula, de expandir a urbanização e revitalizar as áreas rurais, com a ampliação da conectividade nas cidades e no campo, tende a facilitar a integração nacional e aumentar a qualidade e a competitividade dos produtos chineses, tornando os produtos brasileiros menos atrativos.

Segundo o também economista Paulo Gaia, “o Brasil pode ficar ainda mais para trás no processo de desenvolvimento econômico. E perder o bonde dessa nova fase da economia chinesa”.

São riscos, não certezas, que têm como causa comum a crescente dependência externa brasileira, cuja direção de Estado tem, há bom tempo, divergido do caminho dos países mais avançados industrial e tecnologicamente, no rumo de atrasos como o das outrora desenvolvidas Argentina e Itália.

Publicado por Iso Sendacz

Engenheiro Mecânico pela EESC-USP, Especialista aposentado do Banco Central, conselheiro da Casa do Povo, EngD, CNTU e Aguaviva, membro da direção estadual paulista do Partido Comunista do Brasil. Foi presidente regional e diretor nacional do Sinal. Nascido no Bom Retiro, São Paulo, mora em Santos.

3 comentários em “Desindustrialização e dolarização no Brasil

  1. Caro COMANDANTE,

    Em qual período da história o BRASIL foi competitivo na exportação de produtos industrializados, salvo honrosas exceções pontuais.

    PAULO MARCOS

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